O avanço do e-commerce no Brasil tem impulsionado não apenas a logística de produtos, mas também o transporte de pessoas.
Com a abertura constante de centros de distribuição pelo país de gigantes como Mercado Livre, Amazon e Shopee, essas empresas passaram a demandar soluções mais eficientes e sustentáveis para levar funcionários até as operações.
É nesse cenário que a Busup, empresa global de mobilidade corporativa, projeta crescer cerca de 50% no Brasil em 2026, onde concentra 60% da operação global que começou há exatos 10 anos em Barcelona, na Espanha.
“Os clientes não querem só sustentabilidade, como também economia financeira e eficiência operacional”, diz à EXAME, Danilo Tamelini, cofundador e presidente LATAM da Busup e o único brasileiro sócio.
Na prática, a companhia organiza o transporte de funcionários por meio de uma plataforma que conecta empresas a operadoras de ônibus e cria rotas inteligentes para aumentar a ocupação dos veículos e reduzir o número de carros nas ruas.
Segundo o presidente, o modelo faz com que a sustentabilidade seja uma consequência direta da operação. “Quanto mais pessoas dentro do ônibus, maior o impacto positivo para a sociedade e para os negócios”, destaca.
Em 2025, a operação global da Busup evitou a emissão de cerca de 18,1 milhões de quilos de CO₂,ao transportar mais de 48 milhões de passageiros, o equivalente a retirar 5,26 milhões de veículos individuais das ruas.
O presidente destaca que o crescimento no Brasil é impulsionado por uma combinação de fatores estruturais: [grifar]a expansão do e-commerce, a descentralização de indústrias e a baixa eficiência do transporte público.
“Esse combo faz com que outras empresas precisem contratar fretamento para suprir uma nova necessidade”, explica.
Com centros logísticos cada vez mais afastados dos centros urbanos, o transporte corporativo passou a ser não apenas uma demanda operacional, mas também um diferencial competitivo.
“Entendemos que o fretamento também é uma ferramenta de retenção: o funcionário valoriza conforto e previsibilidade no deslocamento”, afirma.
Além da redução do impacto ambiental, o modelo também tem efeitos diretos na qualidade de vida dos trabalhadores.
Uma pesquisa interna mostrou que 70% dos usuários afirmam que o transporte corporativo reduz o estresse no dia a dia, além de gerar uma economia de pelo menos 30 minutos no trajeto.
Expansão impulsionada pelo e-commerce
Sem frota própria, a Busup opera como uma plataforma que conecta empresas a uma rede de cerca de 170 operadores homologados globalmente, sendo quase metade no Brasil.
Esse modelo permite escalar rapidamente e atender clientes em diferentes regiões ao mesmo tempo, o traz um diferencial para gigantes do e-commerce com operações distribuídas.
Hoje, a companhia está presente em sete países e transporta cerca de 90 mil pessoas por dia.
O avanço da operação também se reflete nos números. A empresa faturou cerca de R$ 285 milhões em 2025 e projeta atingir R$ 408 milhões em 2026.
Durante a pandemia, esse posicionamento se mostrou decisivo. “Foi o inverso do esperado. Foram os anos que mais crescemos no Brasil”, conta Danilo.
Como a Busup não possui frota própria e atua como intermediária, a adoção de ônibus elétricos depende tanto dos parceiros quanto dos clientes. Para o presidente, isso torna a transição mais lenta.
“Um ônibus elétrico ainda custa três vezes mais do que um ônibus convencional”, ressalta Danilo.
Para o executivo, projetos com veículos elétricos ainda são pontuais e dependem de contratos mais longos e custos mais elevados, o que limita a adoção em larga escala.
Avanço nas metas de descarbonização
A Busup já atingiu a neutralidade de carbono no Escopo 1 e estabeleceu como meta neutralizar todas as emissões até 2040.
Como parte dessa estratégia, a empresa passou a investir em projetos de compensação ambiental.
Em parceria com a Black Jaguar Foundation, contribuiu para o plantio de cerca de 550 árvores nativas na Amazônia, dentro do Corredor de Biodiversidade Araguaia.
O projeto busca restaurar áreas degradadas, capturar carbono e fortalecer comunidades locais em uma região que conecta a Amazônia ao Cerrado ao longo de 2.600 quilômetros.
Em um dos setores que mais contribuem para as emissões no mundo, soluções começam a ganhar espaço rumo a uma transição mais ampla para tecnologias limpas.
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