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Tencent abre beta internacional do QClaw, agente de IA que opera via WhatsApp

Software da Tencent para agentes de inteligência artificial multifuncionais inicia testes para mercados fora da China

Tencent: chinesa avança com QClaw após sucesso inicial e revela lançamento do software para mercados internacionais (AFP)

Tencent: chinesa avança com QClaw após sucesso inicial e revela lançamento do software para mercados internacionais (AFP)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 22 de abril de 2026 às 10h26.

A Tencent iniciou os testes beta do QClaw, software de inteligência artificial criado para facilitar o uso de agentes de IA por pessoas sem familiaridade técnica com esse tipo de ferramenta. A proposta é transformar a automação, hoje mais associada a programadores e usuários avançados, em um recurso acessível por aplicativo.

Segundo a empresa, o serviço foi liberado gratuitamente para até 200 mil usuários nesta fase inicial e teve forte adesão no mercado chinês. A plataforma superou 1 milhão de usuários nos primeiros 10 dias após o lançamento, de acordo com a Tencent. A companhia também afirma que a versão internacional do QClaw foi desenvolvida em cinco dias e que 99% do código foi escrito de forma autônoma pelo próprio sistema interativo.

Até agora, o beta internacional está disponível apenas para moradores de Estados Unidos, Canadá, Japão, Singapura e Coreia do Sul. A empresa diz que novos mercados receberão o produto de forma “progressiva”.

Desenvolvido a partir do framework, estrutura-base para desenvolvimento de software, OpenClaw, o QClaw funciona como uma versão simplificada de um agente de IA. A proposta é reproduzir os recursos do sistema original em uma interface mais direta, dispensando parte da complexidade técnica exigida por ferramentas semelhantes.

Na prática, o aplicativo busca eliminar barreiras como terminal, chaves de API, interface de programação que conecta diferentes serviços, e instalações complexas. Em vez disso, o usuário pode enviar um comando por WhatsApp ou Telegram, e o agente executa a tarefa em um computador conectado em casa ou no escritório.

Planejar viagens, preencher declarações de imposto, monitorar listas de imóveis e automatizar publicações em redes sociais estão entre os usos destacados pela empresa como porta de entrada para o público geral. A aposta é que esse tipo de interação ajude a deslocar a percepção da IA de um campo restrito à programação ou à geração de imagens e vídeos para entretenimento.

Avanço dos agentes de IA expõe disputa e riscos no setor

Ao mirar usuários comuns, e não apenas clientes corporativos, a Tencent tenta medir se o público está disposto a conviver com agentes de IA integrados a plataformas já populares. O movimento se encaixa em uma mudança mais ampla do setor, em que a IA generativa deixa de apenas responder comandos e passa a executar ações em nome do usuário.

Estratégias parecidas vêm sendo exploradas por empresas como Alibaba e Google, que adaptam seus produtos para funcionar como agentes multifuncionais, capazes de concentrar tarefas cotidianas em um só ambiente. O foco dessa nova etapa é a automação prática de rotinas digitais, com sistemas que navegam entre aplicativos, organizam fluxos de trabalho e reduzem a necessidade de comandos repetidos.

Esse avanço, porém, não ocorre sem resistência. Em relatório, a consultoria Gartner classificou o OpenClaw como uma “prévia perigosa” da nova geração de agentes autônomos. A avaliação ajudou a esfriar o interesse de empresas como Meta, num momento em que cresce a preocupação com dados sensíveis e com o aumento de ataques cibernéticos ligados a sistemas mais autônomos.

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