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Contratar, acolher e promover: a estratégia do GPA para refugiados e imigrantes

Programa Talentos Sem Fronteiras já reúne mais de 500 colaboradores estrangeiros na companhia, que projeta dobrar esse número

Iniciativa lançada há um ano pelo GPA soma mais de 30 promoções e planeja abrir cerca de 3 mil vagas em julho, com espaço para esse público (GPA/Divulgação)

Iniciativa lançada há um ano pelo GPA soma mais de 30 promoções e planeja abrir cerca de 3 mil vagas em julho, com espaço para esse público (GPA/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 2 de julho de 2026 às 05h47.

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) completou um ano de operação do programa Talentos Sem Fronteiras, voltado à empregabilidade e ao desenvolvimento de pessoas refugiadas e imigrantes.

A companhia conta hoje com mais de 500 profissionais estrangeiros, distribuídos entre lojas, centros de distribuição e áreas corporativas. Desde o lançamento da iniciativa, mais de 30 colaboradores foram promovidos.

Segundo Jorge Jubilato, diretor executivo de Gente, Gestão e Sustentabilidade do GPA, que conversou com exclusividade com a EXAME, o programa nasceu de um compromisso mais antigo da companhia com diversidade e responsabilidade social. A ação ganhou estrutura própria a partir do ano passado, quando a empresa organizou uma frente de contratação dedicada a esse público.

O resultado, segundo ele, tem evoluído além da porta de entrada. Parte relevante dos contratados já ocupa novas funções dentro da companhia, e há um banco de talentos formado para oportunidades futuras, especialmente entre profissionais que contam com uma bagagem de trabalho acima do cargo que passam a ocupar no Brasil.

"Nosso objetivo sempre foi ir além da contratação", afirma Jubilato. "Queremos criar condições para que essas pessoas possam construir suas carreiras e encontrar oportunidades reais de crescimento dentro da companhia."

Contratação e promoção de refugiados no GPA

"As mais de 30 promoções mostram que estamos avançando nessa direção e reforçam nosso compromisso com uma inclusão estruturada, que acompanha toda a jornada do colaborador", completa o executivo.

O programa é estruturado em três frentes:

Na empregabilidade, o GPA mantém um banco de talentos exclusivo para refugiados e imigrantes, processo de candidatura simplificado, parcerias com organizações da sociedade civil e participação em feiras de emprego. Uma equipe de recursos humanos é dedicada à atração desse público.

Na integração, a companhia desenvolveu em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) uma metodologia para acompanhar os primeiros meses de trabalho dos colaboradores.

O processo monitora adaptação à rotina, relacionamento com equipes e cultura organizacional, o que permite identificar necessidades de suporte antes que se tornem motivo de desligamento.

Já na frente de saúde e bem-estar, o programa oferece acolhimento por equipes multidisciplinares, canal via WhatsApp e planos de ação individualizados.

Segundo Jubilato, organizações não governamentais atuam no acolhimento inicial desse público, com apoio em moradia e documentação. A barreira do idioma, afirma, é menor do que se poderia supor, já que boa parte dos colaboradores vem de países de língua portuguesa ou latinas, como Haiti, Angola e Venezuela.

Mercado de trabalho para trabalhadores imigrantes

A trajetória de Eliu Monasterio Calles, imigrante venezuelano, ilustra o caminho que o programa busca viabilizar.

Ele entrou no GPA como terceirizado em um centro de distribuição, atuando como auxiliar de logística. Depois de ser efetivado pela companhia, foi promovido em sequência até chegar ao cargo de operador de embalagem.

"É uma experiência maravilhosa", diz Calles. "Permitiu-me superar significativamente muitas limitações impostas pela minha condição de estrangeiro. Agora tenho uma melhor qualidade de vida, trabalho com uma equipe excelente e essa experiência tem sido transformadora", completa.

Inclusão e trabalho

O GPA também é signatário do Fórum Empresas com Refugiados desde 2025. Em um ano, avançou da categoria de Empresa Participante para Empresa Mobilizadora, reconhecimento dado a companhias com práticas estruturadas de inclusão de refugiados no mercado de trabalho.

Para os próximos ciclos, a companhia planeja ampliar a contratação desse público. Jubilato cita que o GPA abrirá cerca de 3 mil vagas para lojas em julho, o que pode ser uma oportunidade para escalar ainda mais a contratação das pessoas refugiadas e imigrantes.

A meta é dobrar o número de colaboradores estrangeiros, hoje acima de 500, além de buscar novas parcerias com ONGs. "Nosso compromisso é criar um ambiente onde diferentes histórias, experiências e perspectivas sejam valorizadas", diz Jubilato.

"Acreditamos que promover oportunidades de desenvolvimento para refugiados e imigrantes fortalece nossas equipes, impulsiona o negócio e contribui para uma sociedade mais inclusiva e equitativa", explica.

Acompanhe tudo sobre:GPA (Grupo Pão de Açúcar)ImigraçãoRefugiadosAmbiente de trabalho

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