Preço do prato feito é mais caro na região sul do Brasil. (Imagem gerada por IA)
Colaboradora
Publicado em 15 de julho de 2026 às 13h41.
Última atualização em 16 de julho de 2026 às 11h44.
O valor do almoço em restaurantes ficou mais caro para os brasileiros que escolhem o PF (prato feito). O aumento impactou principalmente a região Sul do país. De acordo com o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio da ACSP, o preço médio da refeição completa na região chegou a R$ 34,90.
O levantamento mostra que, entre janeiro e junho deste ano, o preço médio do prato feito aumentou 7,2% no Brasil. O Centro-Oeste aparece em segundo lugar entre as refeições mais caras, seguido por Sudeste, Norte e Nordeste.
Preço médio do prato feito por região:
O aumento no valor final da refeição reflete as mudanças de mercado. Influenciam no valor final:
Além disso, as condições climáticas têm efeito negativo na agricultura e pecuária.
O El Niño, sentido no Brasil, impacta a distribuição das chuvas. Isso quer dizer que algumas áreas podem sofrer com alagamentos e inundações enquanto outras tendem a enfrentar longos períodos de seca. Nos dois cenários, a safra pode ser impactada.
Outro ponto importante é que, embora, o IPCA de junho tenha mostrado queda de 0,24% no grupo Alimentação e Bebidas, os restaurantes ainda repassam parte das altas acumuladas nos meses anteriores, principalmente dos alimentos consumidos fora de casa.
O setor também sofre pressão porque boa parte dos custos dos restaurantes não depende apenas dos alimentos. Gastos com mão de obra, aluguel comercial, energia e transporte continuam elevados, reduzindo as margens dos estabelecimentos.
A Região Sul reúne alguns dos maiores custos de vida do país, especialmente nas capitais Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
Além do aluguel comercial mais elevado em áreas centrais e dos custos logísticos, a região possui forte tradição gastronômica baseada em produtos que passaram por aumentos relevantes nos últimos meses. É o caso das carnes utilizadas no churrasco.
Relatório do Cepea mostra que a carne registrou alta no primeiro semestre de 2026. A maior demanda internacional pela carne brasileira reduziu a oferta no mercado interno e contribuiu para pressionar os preços.
Dados do IBGE também mostram que cortes bovinos como picanha, filé-mignon e alcatra registraram alta na época.
Embora os preços oscilem conforme a oferta e exportações, cortes bovinos seguem entre os principais componentes do orçamento dos restaurantes.
Outro exemplo é a erva-mate, principal ingrediente do chimarrão e o café. Embora não haja dados consolidados sobre o aumento de preço de ambos, a produção enfrenta impactos climáticos recorrentes nos estados do Sul, fator que influencia o custo da matéria-prima ao longo do ano.