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Prato feito fica 7,2% mais caro desde o início de 2026 no Brasil; veja preços por região

Valor do PF aumenta nas cinco regiões do Brasil. Veja os novos valores e entenda como afeta o orçamento mensal das famílias

Preço do PF subiu nas cinco regiões do Brasil. (Imagem gerada por IA)

Preço do PF subiu nas cinco regiões do Brasil. (Imagem gerada por IA)

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 15 de julho de 2026 às 11h42.

Última atualização em 16 de julho de 2026 às 15h45.

O prato feito voltou a pesar no orçamento do brasileiro. Entre janeiro e junho de 2026, o preço médio da refeição subiu 7,2% no país, segundo o Índice Prato Feito (IPF) ,elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio da ACSP, instituição de ensino mantida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A média do valor passou de R$ 29,77, em janeiro, para R$ 31,90, em junho. Só no segundo trimestre, entre março e junho, o avanço foi de 5,4%, ritmo bem acima da inflação oficial do período.

Na prática, o aumento pesa direto no bolso de quem depende do restaurante para almoçar.

Considerando 20 dias úteis por mês, um trabalhador que come fora todos os dias gasta hoje cerca de R$ 638 mensais só com o prato principal, sem contar bebida, sobremesa ou lanche.

Em famílias em que duas pessoas fazem essa mesma rotina, a despesa teórica pode chegar a R$ 1.276 por mês, caso ambas paguem o valor médio nacional.

PF por região

O IPF também mostra que o Brasil não almoça pelo mesmo preço. Segundo o levantamento, os valores médios do prato feito em junho de 2026 foram:

  • Sul: R$ 34,90
  • Centro-Oeste: R$ 34,45
  • Sudeste: R$ 31,99
  • Nordeste: R$ 30,00
  • Norte: R$ 29,99
  • Média nacional: R$ 31,90

O Sul lidera o ranking das regiões mais caras, com preço médio de R$ 34,90 pela refeição, seguido de perto pelo Centro-Oeste, com R$ 34,45.

No outro extremo está o Norte, região mais barata do país, com R$ 29,99. A diferença entre a região mais cara e a mais barata chega a 16,4%.

Essas disparidades regionais costumam ser explicadas por uma combinação de fatores: custo dos imóveis comerciais, renda da população local, logística de distribuição dos alimentos, despesas com mão de obra, nível de concorrência entre estabelecimentos e hábitos de consumo de cada região.

Por que o PF está mais caro?

O preço do prato feito não reflete apenas o custo dos alimentos, mas também outros gastos relacionados aos restaurantes e lanchonestes. Entre os principais estão:

  • o aluguel do ponto comercial;
  • a energia elétrica;
  • o salário dos funcionários;
  • o transporte dos alimentos;
  • os tributos;
  • o custo financeiro e a margem do empresário.

Por isso, mesmo quando um insumo específico fica mais barato, o preço final da refeição nem sempre recua na mesma proporção.

Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a entender esse cenário.

Em junho de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, avançou 0,16%.

O grupo Alimentação e Bebidas, no entanto, teve o maior impacto negativo do mês, com queda de 0,24%, puxada principalmente pela alimentação dentro de casa, após alta de 1,33% em maio.

Já a alimentação fora do domicílio seguiu em trajetória diferente.

De acordo com o IPCA-15 do IBGE, prévia oficial do índice, esse segmento avançou 0,40% em junho, e o item "refeição" subiu 0,39% no mês, evidenciando que o custo de comer fora de casa nem sempre acompanha o alívio observado nos supermercados.

Parte da pressão sobre os alimentos vem de itens que dispararam ao longo do primeiro semestre.

Segundo o IBGE, no acumulado dos seis primeiros meses de 2026, os preços do tomate, da cenoura e da batata-inglesa mais que dobraram, com altas de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente. O feijão-carioca, tipo mais consumido no país, também subiu 8,31% somente em junho, mesmo em um mês de recuo geral dos alimentos.

Esse conjunto de fatores explica por que o prato feito segue mais caro, mesmo em meses de trégua na inflação de alimentos.

A expectativa do mercado, segundo o Boletim Focus mais recente do Banco Central, é de que o IPCA feche 2026 em 5,16%, acima do teto da meta de inflação perseguida pelo governo, o que reforça o cenário de custo de vida ainda pressionado para o segundo semestre.

O que tem no prato feito?

O prato feito, o famoso PF, é a refeição mais tradicional de quem trabalha fora de casa no Brasil. O IPF considera como prato feito a combinação de arroz, feijão, proteína, salada e guarnição, servida em restaurantes por quilo, a la carte ou via aplicativos de entrega.

A edição mais recente do índice, referente ao segundo trimestre de 2026, reuniu 887 coletas de preços em estabelecimentos de diferentes regiões do país, a maior base de dados da série histórica do estudo, iniciada em janeiro de 2026. A apuração foi feita de forma presencial e também em aplicativos de delivery.

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