A carne foi um dos alimentos presentes no PF que mais encarecessam em 2026. (ThinkStock)
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Publicado em 15 de julho de 2026 às 16h22.
Última atualização em 16 de julho de 2026 às 15h45.
O tradicional prato feito, conhecido como PF, ficou mais caro para os brasileiros em 2026. Segundo o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio da ACSP, o preço médio da refeição aumentou 7,2% no primeiro semestre do ano.
O levantamento aponta que o valor médio nacional do PF chegou a R$ 31,90, enquanto a Região Sul registrou o maior preço médio entre as regiões, com R$ 34,90.
Na comparação regional, os valores ficaram assim:
O IPF não detalha quais ingredientes tiveram maior peso no aumento da refeição. No entanto, dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, e análises de instituições como Cepea/Esalq-USP e Conab mostram que alguns alimentos presentes no dia a dia dos restaurantes tiveram alta e ajudaram a pressionar os custos do setor.
Confira cinco alimentos que contribuíram para deixar o PF mais caro:
A carne bovina foi um dos principais itens que pressionaram o custo das refeições em 2026.
Dados do IBGE mostram que cortes tradicionalmente utilizados em pratos e churrascos tiveram alta no primeiro semestre. A picanha subiu 10,66%, o filé-mignon aumentou 10,20% e a alcatra avançou 9,48% no período.
Segundo o Cepea/Esalq-USP, a valorização da carne está relacionada a fatores como a menor oferta de animais prontos para abate, a valorização do bezerro e o bom desempenho das exportações brasileiras, que manteve a demanda internacional aquecida.
A alta impacta diretamente restaurantes que trabalham com PFs que levam carne, como bife acebolado, churrasco, contrafilé e outras opções tradicionais.
O tomate também contribuiu para elevar os custos dos restaurantes.
Em abril, o IBGE registrou alta de 6,13% no preço do tomate.
O alimento é um dos mais sensíveis às condições climáticas porque depende de temperatura adequada e de um ciclo de produção com pouca margem para perdas.
A redução da oferta, causada por problemas no cultivo e na colheita, costuma provocar aumento rápido dos preços.
A cebola foi outro item que pressionou o custo da alimentação.
Segundo o IBGE, em abril de 2026, o produto teve alta de 11,76% no mês, contribuindo para a aceleração da alimentação no domicílio.
O aumento ocorreu principalmente por causa da redução da oferta em algumas regiões produtoras, influenciada pelo calendário de colheita e pelas condições climáticas.
No mesmo período, o IBGE também registrou alta do tomate e da cenoura.
A batata também apareceu entre os alimentos que pressionaram a inflação dos alimentos em 2026.
Em maio, o IBGE informou que a alimentação no domicílio teve alta de 1,65%, influenciada principalmente por itens como batata-inglesa, tomate e cebola.
A batata é um acompanhamento comum em restaurantes, presente em pratos como PF com fritas, escondidinhos e porções.
Embora não seja um ingrediente do prato feito, o café é muito consumido pelos brasileiros. O produto também pesa no custo da refeição fora de casa, já que muitos restaurantes oferecem a bebida como complemento do almoço.
A valorização ocorreu devido a problemas climáticos nas lavouras brasileiras e à redução da oferta global.
A Conab apontou impactos climáticos sobre a produção brasileira de café, especialmente em áreas produtoras de arábica.
O prato feito, conhecido popularmente como PF, é uma das refeições mais tradicionais do Brasil. A combinação geralmente reúne arroz, feijão, proteína animal, salada e algum acompanhamento, como batata, ovo ou farofa.
A origem do prato está ligada ao crescimento da urbanização e da industrialização brasileira, especialmente a partir do século XX, quando trabalhadores passaram a buscar refeições rápidas, completas e com preço acessível próximas aos locais de trabalho.
O modelo se popularizou em restaurantes populares, bares e estabelecimentos conhecidos como "comida caseira", tornando-se uma das principais opções de alimentação fora de casa no país.
Mesmo com a alta dos preços dos alimentos, algumas versões do PF continuam sendo alternativas mais econômicas.
Pratos com proteínas de menor custo costumam ter preços mais baixos, como:
A substituição da carne bovina por proteínas mais baratas é uma das estratégias usadas por restaurantes para manter preços competitivos sem reduzir o volume da refeição.