Plataforma funerária: arqueólogos encontraram restos humanos, armas, ornamentos e objetos cerimoniais em Chan Chan (Ministério da Cultura do Peru)
Redatora
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 05h30.
Uma plataforma funerária com restos de 38 pessoas foi descoberta em Chan Chan, na costa norte do Peru. A estrutura, associada a indivíduos da elite da sociedade Chimú, preservava armas, ornamentos, objetos metálicos e outros artefatos depositados há cerca de 600 anos.
A descoberta foi detalhada pela Agência de Notícias Andina na última terça-feira, 8, e ocorreu no antigo Palácio Gran Chimú, atualmente conhecido como complexo murado Utzh An. As escavações fazem parte de pesquisas arqueológicas e trabalhos de conservação conduzidos pelo Ministério da Cultura do Peru.
O achado chamou atenção pelo estado de preservação da estrutura e de seu conteúdo. Muitos túmulos da elite Chimú conhecidos anteriormente foram saqueados ou danificados desde o período colonial, enquanto a nova plataforma manteve boa parte de seu contexto funerário preservado.
A plataforma funerária possui uma câmara central e duas câmaras laterais. Segundo o arqueólogo Jorge Meneses, uma escadaria de aproximadamente 2,4 metros leva até a câmara central, que mede cerca de 1,2 metro de largura por 4,9 metros de comprimento.
Dentro desse espaço, os arqueólogos encontraram um nicho, os restos mortais de uma pessoa e artefatos produzidos com conchas, cobre e ouro. As duas câmaras laterais medem aproximadamente 1,2 metro de largura por 7,9 metros de comprimento.
Uma delas não continha restos humanos, mas guardava armas e objetos de metal. Na outra, os pesquisadores identificaram os restos de 20 pessoas. Outros 18 indivíduos foram encontrados em diferentes pontos da plataforma, elevando o total para 38.
Um dos esqueletos encontrados na plataforma chamou atenção pela posição em que havia sido enterrado. O indivíduo estava completamente estendido, postura diferente das posições flexionadas ou sentadas normalmente associadas às tradições funerárias Chimú.
A diferença levou os pesquisadores a investigar a identidade, o status social e as circunstâncias da morte dessa pessoa. Uma das hipóteses consideradas é que o indivíduo tenha sido vítima de um ritual sacrificial. Outra possibilidade é que a posição incomum estivesse relacionada a uma diferença significativa de status em comparação com as demais pessoas enterradas no local.
Nenhuma dessas interpretações foi confirmada. Os arqueólogos ressaltam que exames mais aprofundados dos restos mortais serão necessários para verificar se existem evidências que sustentem alguma das hipóteses.
Vestígios de pigmento vermelho também apareceram na cabeça de vários indivíduos e em objetos de cerâmica. Segundo o Ministério da Cultura do Peru, esse pigmento vermelho, considerado sagrado, era reservado a sepultamentos de alto escalão nas sociedades andinas.
A presença desses objetos, somada às características da plataforma funerária, ajuda os pesquisadores a investigar quem eram as pessoas enterradas no complexo e quais posições ocupavam na sociedade Chimú.
O estado de conservação da plataforma permite que os arqueólogos analisem os restos humanos e os artefatos no contexto em que foram encontrados.
Antes de remover os materiais, a equipe utiliza fotogrametria de alta precisão, técnica que reúne centenas de fotografias para produzir modelos tridimensionais detalhados da área escavada. Somente depois desse registro os restos mortais e os objetos podem ser retirados para análises posteriores.
As escavações também podem ajudar a compreender como o complexo foi utilizado ao longo do tempo e o que ocorreu em Chan Chan após a expansão do Império Inca na região.
Localizada na costa norte do Peru, Chan Chan foi o centro político da civilização Chimú e se tornou uma das maiores cidades pré-colombianas das Américas.