Escolhas: pesquisa explica como a repetição pode moldar preferências e influenciar decisões futuras (Freepik)
Redatora
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 10h11.
As decisões tomadas no passado podem influenciar muito mais as escolhas do presente do que se imaginava. Um estudo da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, mostrou que simplesmente repetir uma decisão faz com que a opção passe a parecer mais atraente para o cérebro, mesmo quando existem alternativas iguais ou até melhores.
Os resultados, publicados na revista científica Communications Psychology, indicam que esse mecanismo pode fortalecer preferências ao longo do tempo, ajudando a explicar por que hábitos são tão difíceis de mudar.
Para chegar aos resultados, a equipe analisou dados de mais de 700 participantes, reunindo informações de 15 experimentos sobre tomada de decisão.
Os pesquisadores investigaram como as pessoas aprendem a atribuir valor a diferentes alternativas e observaram quais decisões voltavam a tomar quando essas opções eram apresentadas novamente em novos contextos.
A análise revelou que muitos participantes tendiam a repetir escolhas anteriores, em vez de reavaliar cuidadosamente todas as alternativas disponíveis.
Segundo os autores, o cérebro frequentemente utiliza um atalho mental. Em vez de comparar novamente todas as possibilidades, ele recupera da memória a decisão tomada anteriormente e tende a repeti-la.
Com o tempo, essa repetição faz com que a opção familiar pareça cada vez mais atraente, mesmo quando existem alternativas equivalentes ou potencialmente melhores.
Os pesquisadores observaram que as alternativas escolhidas repetidamente não apenas eram selecionadas com maior frequência, como também passavam a ser percebidas pelos participantes como mais valiosas.De acordo com os autores, esse mecanismo pode ajudar a explicar diversos comportamentos cotidianos.
Ele pode influenciar, por exemplo, decisões de compra, preferência por determinadas marcas, hábitos alimentares, rotinas e outras situações em que as pessoas continuam optando pelo que já conhecem, mesmo quando existem outras opções.
Na avaliação dos pesquisadores, essas preferências nem sempre surgem porque uma alternativa é objetivamente melhor, mas porque o cérebro tende a reforçar decisões repetidas ao longo do tempo.
Diante disso, os autores afirmam que os resultados contribuem para uma compreensão mais realista de como o cérebro forma preferências e toma decisões.
A descoberta também pode beneficiar pesquisas nas áreas de psicologia, neurociência e comportamento do consumidor, além de aperfeiçoar modelos que buscam explicar como hábitos e preferências são construídos ao longo da vida.