Crianças: estudo acompanhou participantes da infância à adolescência para investigar a relação entre telas, atividade física e cognição (Freepik)
Redatora
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 19h06.
O tempo de tela costuma ser apontado como um dos principais vilões da infância. Mas um estudo que acompanhou crianças por oito anos encontrou um resultado que desafia essa percepção.
Pesquisadores da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, observaram que crianças que passaram mais tempo usando telas ao longo da infância tendiam a apresentar melhor processamento cognitivo na adolescência. Segundo os autores, porém, isso não significa que qualquer exposição às telas seja benéfica. O fator mais importante parece ser o tipo de atividade realizada.
A pesquisa foi publicada na revista Pediatric Exercise Science e acompanhou 260 participantes do estudo PANIC (Physical Activity and Nutrition in Children), que investiga os efeitos da atividade física e da alimentação no desenvolvimento infantil.
Os pesquisadores analisaram a relação entre atividade física, comportamento sedentário e tempo de tela desde a infância até a adolescência. Ao final do acompanhamento, avaliaram habilidades como atenção, memória de trabalho e velocidade de processamento cognitivo.
Os resultados mostraram uma associação entre maior tempo de tela durante a infância e melhor desempenho cognitivo na adolescência. Segundo os autores, a explicação pode estar no conteúdo acessado e na forma como as crianças utilizam os dispositivos eletrônicos.Atividades que exigem raciocínio, resolução de problemas, criatividade e aprendizado podem estimular funções cognitivas importantes, diferentemente de um uso predominantemente passivo.
Segundo a equipe, a principal conclusão é que pais e professores devem buscar um equilíbrio entre atividade física e o uso de tecnologias que promovam engajamento mental.
Para os autores, o tempo de tela não deve ser visto apenas como prejudicial, mas como uma ferramenta cujo impacto depende da forma como é utilizado.
A pesquisa também analisou como a atividade física se relacionava com o desempenho cognitivo. Os resultados variaram conforme o sexo e o tipo de exercício praticado.
Nas meninas, níveis mais elevados de atividade física de baixa intensidade desde a infância foram associados a melhor memória de trabalho na adolescência. Já entre os meninos, a participação em atividades físicas supervisionadas esteve relacionada ao mesmo benefício cognitivo.
Por outro lado, medidas objetivas de atividade física obtidas por sensores que monitoravam frequência cardíaca e movimento não apresentaram associação com o desempenho cognitivo.
Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer porque esses dispositivos registram apenas o movimento corporal, mas não conseguem identificar o contexto da atividade nem o nível de envolvimento mental durante o comportamento sedentário ou a prática de exercícios.