Ciência

Estresse 'oculto' pode acelerar perda de memória em idosos, aponta estudo

Pesquisa aponta que sentimentos reprimidos estão ligados ao declínio cognitivo

Idosos: estudo mostra que o estresse internalizado pode afetar o cérebro ao longo do tempo (Getty Images)

Idosos: estudo mostra que o estresse internalizado pode afetar o cérebro ao longo do tempo (Getty Images)

Publicado em 1 de maio de 2026 às 05h01.

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Um tipo de estresse pouco visível pode estar acelerando a perda de memória em idosos, segundo um estudo da Rutgers University. A pesquisa indica que não é apenas o envelhecimento que afeta a cognição, mas também fatores emocionais, como sentimentos de desesperança, que desempenham papel relevante.

O trabalho analisou especificamente idosos sino-americanos e aponta que o chamado estresse internalizado — quando a pessoa guarda emoções negativas em vez de expressá-las — está associado a um declínio mais rápido da memória.

Os resultados foram publicados no periódico The Journal of Prevention of Alzheimer's Disease e utilizou dados do Estudo Populacional de Idosos Chineses (PINE), considerado o maior levantamento comunitário sobre essa população nos Estados Unidos.

Como o estresse internalizado afeta a memória

Esse padrão ocorre quando experiências negativas são absorvidas silenciosamente, sem externalização ou busca por apoio. Ao longo do tempo, essa resposta pode afetar o funcionamento do cérebro e contribuir para o declínio cognitivo.

A análise considerou entrevistas realizadas entre 2011 e 2017 com mais de 1.500 pessoas e com mais de 60 anos, residentes na região de Chicago. Os pesquisadores avaliaram três fatores principais: estresse internalizado, coesão social e estratégias externas de enfrentamento.

Estresse reprimido teve maior impacto

Entre os fatores analisados, apenas o estresse internalizado apresentou associação consistente com a piora da memória ao longo dos anos. Outros aspectos, como apoio comunitário ou convivência social, não mostraram relação significativa com o desempenho cognitivo.

Os pesquisadores também apontam que fatores culturais podem contribuir para esse padrão. O estereótipo da “minoria modelo”, por exemplo, pode levar à ocultação de dificuldades emocionais. Além disso, barreiras linguísticas e desafios de adaptação ainda podem aumentar o estresse em idosos imigrantes.

Descoberta pode ajudar na prevenção

Como o estresse internalizado é considerado um fator modificável, os achados sugerem caminhos para intervenções focadas na saúde mental.

Segundo os autores, abordagens culturalmente sensíveis podem ajudar a reduzir esse tipo de estresse e, potencialmente, retardar o declínio cognitivo em populações mais vulneráveis.

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