Tratamento contra HIV: estudo internacional testa formulações injetáveis de ação ultralonga (Freepik)
Redatora
Publicado em 16 de outubro de 2026 às 13h48.
O Brasil participa de um estudo internacional que testa um novo tratamento injetável contra o HIV, com aplicações a cada quatro meses. A proposta é reduzir a frequência das doses sem comprometer o controle do vírus em pessoas que já apresentam carga viral suprimida.
A pesquisa, chamada CUATRO, está na fase 3 de ensaios clínicos e avalia formulações de ação ultralonga dos antirretrovirais cabotegravir e rilpivirina.
O estudo prevê a participação de aproximadamente 564 voluntários em diferentes países, com acompanhamento programado até 2029. Os resultados poderão indicar se é possível ampliar o intervalo entre as aplicações sem reduzir a eficácia do tratamento.
O estudo investiga versões de ação ultralonga de dois medicamentos que já são utilizados no tratamento do HIV: cabotegravir e rilpivirina.
As formulações injetáveis existentes podem ser administradas em intervalos menores. A novidade da pesquisa é testar se esse período pode ser ampliado para quatro meses, o equivalente a três ciclos de aplicação por ano.
Cada ciclo do esquema investigado envolve duas injeções intramusculares, uma de cada medicamento. Os participantes passam por avaliações periódicas, incluindo exames laboratoriais e monitoramento de possíveis efeitos adversos, para verificar se o tratamento continua seguro e eficaz.
O principal indicador analisado será a proporção de pessoas que apresentarem carga viral igual ou superior a 50 cópias por mililitro, parâmetro utilizado para avaliar a manutenção da supressão viral.Os resultados serão comparados aos de um esquema já existente de tratamento injetável.
O CUATRO é direcionado a pessoas vivendo com HIV que já apresentam carga viral suprimida com o tratamento atual. Isso significa que a nova formulação está sendo investigada como uma alternativa de manutenção do controle viral, e não como tratamento inicial para pessoas recém-diagnosticadas.
A redução da frequência das doses pode representar uma mudança importante na rotina de pacientes que precisam utilizar antirretrovirais continuamente.
Tratamentos de longa duração também podem oferecer alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas à administração diária de medicamentos.
Entretanto, o esquema de quatro meses ainda precisa demonstrar segurança e eficácia. Mesmo que os resultados sejam positivos, sua indicação dependerá dos critérios clínicos estabelecidos nas futuras avaliações regulatórias.
As versões injetáveis de cabotegravir e rilpivirina já receberam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para determinadas situações de tratamento do HIV no Brasil.
Entretanto, segundo a agência, essas formulações ainda não fazem parte dos esquemas oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A incorporação de novos medicamentos à rede pública depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde.
Atualmente, o SUS disponibiliza principalmente tratamentos antirretrovirais de uso diário, que podem reduzir a carga viral a níveis indetectáveis.
Quando a supressão viral é mantida de forma sustentada, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, princípio conhecido como Indetectável = Intransmissível (I=I).
O estudo CUATRO ainda está em andamento, com acompanhamento dos participantes previsto até 2029. A pesquisa deverá verificar se o intervalo de quatro meses mantém o controle do vírus sem comprometer a segurança dos pacientes.
Mesmo que os resultados sejam favoráveis, a nova formulação precisará passar por avaliação das autoridades regulatórias antes de uma eventual comercialização.
No Brasil, uma futura oferta pelo SUS também dependerá de um processo específico de incorporação. Até lá, o esquema com aplicações a cada quatro meses permanece experimental e não deve ser confundido com as formulações injetáveis já aprovadas para intervalos menores.