Tempestade solar: ejeção de massa coronal deve atingir a Terra nesta sexta-feira, 9, e pode provocar auroras boreais em latitudes mais baixas. (Pitris/Getty Images)
Repórter
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 11h38.
Uma ejeção de massa coronal (CME), lançada pelo Sol na terça-feira, 6 de outubro, deve atingir a Terra nas primeiras horas desta sexta-feira, 9.
O fenômeno levou o Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a emitir um alerta de tempestade geomagnética de nível G2, classificação que indica intensidade moderada e possibilidade de auroras boreais em regiões onde o fenômeno não costuma ser observado.
A ejeção ocorreu após uma erupção solar de classe M1.4, registrada na região de manchas solares AR4549, localizada próxima ao centro da face do Sol voltada para a Terra. Essa posição aumenta a possibilidade de interação do material expelido com o campo magnético terrestre.
A ejeção de massa coronal consiste na liberação de plasma e campos magnéticos da atmosfera solar. Quando esse material alcança a Terra, pode provocar alterações na magnetosfera, região do espaço controlada pelo campo magnético do planeta, e favorecer a formação de auroras.
Segundo estimativas do Solar Influences Data Analysis Center (SIDC), centro belga de monitoramento da atividade solar, a ejeção se desloca a aproximadamente 560 quilômetros por segundo. Os modelos indicam que o material deve alcançar o planeta durante a madrugada de sexta-feira, 9, mas o horário depende da velocidade e da trajetória da nuvem de plasma.
O Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, calcula que a chegada possa ocorrer por volta de 1h, no horário de Brasília, com uma margem de erro de seis horas.
Já o modelo WSA-ENLIL, utilizado pela NOAA para acompanhar a propagação de partículas e estruturas magnéticas no espaço, aponta a possibilidade de contato inicial por volta das 2h, também no horário de Brasília.
A agência norte-americana prevê condições geomagnéticas entre G1 e G2 ao longo do dia. Na escala utilizada para classificar essas tempestades solares, que vai de G1 a G5, o primeiro nível representa perturbações menores, enquanto o segundo corresponde a eventos moderados.
A chegada da ejeção pode ampliar a área de ocorrência das auroras boreais, fenômeno luminoso produzido pela interação de partículas energéticas com gases da atmosfera terrestre.
Em condições geomagnéticas G2, associadas ao índice planetário Kp 6, há registros de auroras em localidades dos Estados Unidos como Nova York e Idaho.
A possibilidade de observação em latitudes menores, entretanto, depende da intensidade da tempestade solar e da orientação do campo magnético transportado pela ejeção solar.
Caso esse campo apresente uma orientação favorável à transferência de energia para a magnetosfera terrestre, a atividade geomagnética poderá aumentar. Em outras condições, as auroras poderão permanecer concentradas nas regiões próximas aos polos.
Por esse motivo, o alerta G2 não garante a ocorrência do fenômeno em cidades específicas.
A previsão de três dias divulgada pela NOAA indica a possibilidade de atividade geomagnética G1 entre meia-noite e 3h de sexta-feira, 9, no horário de Brasília.
Os modelos também apontam um possível aumento para o nível G2 entre 6h e 9h. Esses intervalos representam períodos de atividade geomagnética prevista, não horários confirmados de observação das auroras.
As estimativas podem mudar conforme novas informações sobre a ejeção sejam incorporadas aos modelos. Os centros de monitoramento utilizam imagens de coronógrafos, instrumentos que bloqueiam a luz direta do Sol para permitir a observação de sua atmosfera externa, e dados sobre a propagação do material solar.
A região AR4549 apresentou outra erupção após o evento de classe M1.4. O segundo episódio foi classificado como M1.8, dentro da categoria M, utilizada para identificar erupções solares de intensidade intermediária na escala de raios X.
Outra região de manchas solares, identificada como AR4545, também apresentou aumento de atividade. Ambas estão posicionadas na face solar voltada para a Terra, o que permite o acompanhamento de possíveis novas emissões de material em direção ao planeta.
Os especialistas também monitoram buracos coronais, áreas da atmosfera solar nas quais as linhas do campo magnético permitem a saída de fluxos de vento solar de maior velocidade.
A interação desses fluxos com a magnetosfera terrestre pode provocar outro período de atividade geomagnética por volta de domingo, 11 de outubro, segundo as previsões mencionadas pelos centros de monitoramento espacial.