Ciência

Quanto tempo você passa em sono REM? Estudo encontra ligação com 83 doenças

Pesquisa acompanhou mais de 95 mil pessoas por quase nove anos e analisou diferentes estágios e padrões do sono

Sono: pesquisadores analisaram diferentes estágios do descanso e mais de mil condições de saúde (Freepik)

Sono: pesquisadores analisaram diferentes estágios do descanso e mais de mil condições de saúde (Freepik)

Publicado em 27 de setembro de 2026 às 05h40.

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Passar mais tempo em sono REM foi associado a menor risco de desenvolver 83 doenças, incluindo demência, insuficiência cardíaca e doença de Parkinson. A relação apareceu em um estudo com mais de 95 mil pessoas acompanhadas por quase nove anos.

Os pesquisadores também encontraram associação entre mais tempo de sono profundo e menor risco de sete condições, como diabetes tipo 2 e depressão grave. Já dormir menos de cinco horas foi relacionado a maior risco de 37 doenças.

Para chegar aos resultados, o estudo, publicado na revista científica PLOS Medicine na última quinta-feira, 17, utilizou dados de 95.559 participantes do UK Biobank e avaliou diferentes características do sono e mais de mil desfechos de saúde.

Como os pesquisadores analisaram o sono REM e outros estágios

Em vez de depender apenas dos relatos dos participantes sobre quanto dormiam, os pesquisadores utilizaram dados coletados por acelerômetros usados no pulso durante sete dias e sete noites consecutivos. Um algoritmo de aprendizado profundo foi usado para estimar diferentes características do sono, incluindo o tempo em sono REM, sono profundo e sono leve.

A análise também considerou a duração total do sono, o tempo que as pessoas permaneciam acordadas após adormecer e as diferenças nos horários de sono entre uma noite e outra. Depois, os registros de saúde dos participantes foram acompanhados por uma mediana de 8,9 anos. Os pesquisadores verificaram possíveis associações entre esses padrões e mais de mil doenças.

Ao todo, foram identificadas 156 associações significativas entre características do sono e doenças após a análise estatística utilizada pelo estudo.

Demência, Parkinson e insuficiência cardíaca aparecem nas associações

O sono REM foi a característica relacionada ao maior número de condições. Um aumento correspondente a 47,6 minutos nesse estágio foi associado a menor risco de 83 doenças. Entre elas estavam insuficiência cardíaca,demência e doença de Parkinson. Para essas três condições, as razões de risco foram de 0,74, 0,54 e 0,20, respectivamente.

Os resultados indicam uma associação entre maior tempo em sono REM e menor risco dessas doenças durante o acompanhamento. Isso não significa, porém, que aumentar deliberadamente o sono REM produza a mesma redução de risco.

O sono profundo também apareceu nos resultados. Mais tempo nesse estágio foi associado a menor risco de sete condições, entre elas diabetes tipo 2 e transtorno depressivo maior.

Dormir menos de cinco horas foi associado a 37 condições

A duração total do sono apresentou uma relação mais complexa com a saúde. Os pesquisadores encontraram associações não lineares com 86 condições. Em 69 delas, o menor risco observado concentrou-se entre seis e oito horas de sono.

No outro extremo, pessoas que dormiam menos de cinco horas apresentaram maior risco associado a 37 condições.

Outras características também apareceram na análise. Maior irregularidade entre as noites e mais períodos acordados depois de adormecer foram relacionados a condições como ansiedade e transtornos por uso de substâncias.

Mais sono REM não significa proteção direta contra doenças

Apesar do grande número de participantes e do acompanhamento de longo prazo, os próprios pesquisadores destacam uma limitação importante.

Por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Assim, os resultados não permitem afirmar que aumentar o sono REM ou profundo impedirá o desenvolvimento das doenças analisadas.

Segundo os autores, a análise reforça a importância de considerar não apenas quantas horas uma pessoa dorme, mas também como o sono é distribuído entre seus diferentes estágios.

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