Parkinson: medicamento aprovado nos EUA atua em receptores específicos de dopamina (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Redatora
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 15h17.
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Parkinson em adultos. A autorização foi concedida na última sexta-feira, 25.
Chamado tavapadon, o medicamento será comercializado com o nome Juvmo pela farmacêutica AbbVie. A empresa informou que espera disponibilizar o produto aos pacientes nos EUA ainda neste mês de outubro. No Brasil, ainda não há previsão divulgada de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O tratamento é administrado uma vez ao dia e pode ser utilizado sozinho ou em combinação com levodopa. Os estudos de fase 3 avaliaram tanto pacientes que não utilizavam levodopa oral quanto aqueles que apresentavam flutuações motoras durante o tratamento com o medicamento.
O tavapadon atua sobre receptores de dopamina no cérebro. O Parkinson está relacionado à perda de neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor que desempenha papel importante no controle dos movimentos.
O novo medicamento é um agonista seletivo dos receptores D1 e D5 de dopamina. Segundo a AbbVie, o Juvmo é o primeiro medicamento com esse mecanismo seletivo aprovado para adultos com Parkinson nos Estados Unidos.
A estratégia difere da levodopa, utilizada para aumentar a disponibilidade de dopamina no cérebro e que permanece entre os principais medicamentos empregados no controle dos sintomas da doença.
A aprovação do tavapadon foi sustentada pelo programa clínico TEMPO, que incluiu estudos de fase 3 em pacientes com diferentes estágios da doença.
Nos estudos TEMPO-1 e TEMPO-2, o medicamento foi avaliado em pessoas com Parkinson em estágio inicial que não utilizavam levodopa oral. Os resultados mostraram melhora significativa em medidas relacionadas às atividades da vida diária e aos sintomas motores em comparação com placebo.
O TEMPO-3 avaliou o tavapadon como tratamento adicional em adultos que já utilizavam levodopa e apresentavam flutuações motoras.
Após 26 semanas, os pacientes que receberam tavapadon com levodopa apresentaram aumento de 1,7 hora por dia no período “on” sem discinesia problemática, ante 0,6 hora no grupo que recebeu placebo com levodopa. O período “on” corresponde ao tempo em que o medicamento faz efeito e em que os sintomas motores estão controlados.
O tempo diário em estado “off”, quando o efeito da medicação diminui e os sintomas podem retornar ou piorar, caiu 1,9 hora no grupo tratado com tavapadon, contra redução de 0,9 hora no grupo placebo.
Com a aprovação, o tavapadon passa a ser uma nova opção de tratamento para adultos com Parkinson nos Estados Unidos, podendo ser administrado sozinho ou junto à levodopa.
Entre os sintomas motores estão lentidão dos movimentos, tremores, rigidez e dificuldades para caminhar e manter o equilíbrio. Alterações cognitivas, problemas de saúde mental, distúrbios do sono, dor e alterações sensoriais também podem ocorrer.
Segundo a Parkinson’s Foundation, mais de 10 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo. A ocorrência da doença aumenta com a idade, embora ela também possa se manifestar em pessoas mais jovens.