Ciência

Parkinson: cientistas descobrem 'ritmo oculto' do cérebro que pode melhorar tratamento

Descoberta pode permitir ajustes mais precisos na estimulação cerebral profunda e melhorar a resposta de pacientes com a doença

Cérebro: descoberta pode ajudar a personalizar a estimulação cerebral profunda em pacientes com a doença de Parkinson (Yuichiro Chino/Getty Images)

Cérebro: descoberta pode ajudar a personalizar a estimulação cerebral profunda em pacientes com a doença de Parkinson (Yuichiro Chino/Getty Images)

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 09h19.

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A doença de Parkinson pode ser tratada de forma mais precisa no futuro graças à descoberta de um ritmo elétrico específico do cérebro associado aos benefícios da estimulação cerebral profunda (ECP). Pesquisadores identificaram uma rede cerebral que se comunica em uma frequência entre 20 e 35 hertz (Hz) e que está relacionada à melhora dos sintomas motores em pacientes submetidos à terapia.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Colônia, dos Hospitais Universitários de Colônia e Düsseldorf, da Escola de Medicina de Harvard e da Charité Berlin. Os resultados foram publicados na revista científica Brain.

Como funciona a estimulação cerebral profunda?

A estimulação cerebral profunda é uma terapia utilizada para aliviar sintomas motores do Parkinson, como tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.

O tratamento consiste no implante de eletrodos em regiões profundas do cérebro. Esses dispositivos enviam pequenos impulsos elétricos que ajudam a regular a atividade cerebral alterada pela doença.

Embora seja uma técnica consolidada, os cientistas ainda não compreendiam completamente quais circuitos cerebrais eram responsáveis pelos benefícios observados nos pacientes.

Estudo identificou uma rede cerebral ligada ao sucesso da terapia

Para investigar o mecanismo da terapia, a equipe analisou 50 pacientes, avaliando simultaneamente 100 hemisférios cerebrais. Os cientistas registraram a atividade cerebral por meio dos eletrodos implantados e utilizaram magnetoencefalografia (MEG) para mapear a comunicação entre regiões profundas do cérebro e o córtex.

A análise revelou uma rede que conecta o núcleo subtalâmico às áreas frontais do cérebro e que se comunica principalmente por meio de oscilações na chamada banda beta alta, entre 20 e 35 Hz. Quanto mais forte era essa conexão, maior tendia a ser a melhora dos sintomas motores após a implantação dos eletrodos.

Descoberta pode tornar o tratamento do Parkinson mais preciso

Segundo os pesquisadores, esta é a primeira vez que uma mesma pesquisa consegue caracterizar simultaneamente a localização e o ritmo de funcionamento dessa rede cerebral.

Os autores afirmam que a descoberta pode ajudar médicos a ajustar a estimulação cerebral profunda de forma mais personalizada, especialmente em pacientes que ainda não obtêm o nível desejado de melhora com as configurações atuais.

Agora, a equipe pretende investigar como a estimulação cerebral profunda altera as redes cerebrais ao longo do tempo. O objetivo é compreender melhor os mecanismos da terapia e desenvolver estratégias capazes de tornar o tratamento da doença de Parkinson ainda mais eficaz e individualizado.

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