Café: método de preparo e tamanho da porção são fatores que influenciam a quantidade de cafeína (Getty Images)
Redatora
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 14h13.
O sabor forte e a pequena quantidade servida podem fazer o café expresso parecer a opção com mais cafeína. A comparação, porém, não é tão simples.
O expresso tende a apresentar maior concentração de cafeína por mililitro, mas é consumido em doses pequenas. Já o café coado é menos concentrado, porém costuma chegar à mesa em volumes maiores. Em contrapartida, o descafeinado fica bem abaixo dos dois, embora o nome possa causar outra confusão: ele não é necessariamente livre de cafeína.
No Dia Internacional do Café, celebrado nesta quinta-feira, 1º de outubro, entenda por que método de preparo, quantidade servida e até o tipo de grão podem mudar a dose de cafeína presente na xícara.
Um estudo publicado na revista Food Research International comparou oito métodos diferentes de extração do café. Os pesquisadores encontraram as maiores concentrações de cafeína no expresso. Cafés preparados por métodos como filtragem apresentaram concentrações de três a seis vezes menores.
Quando a comparação foi feita pela quantidade presente na porção servida, entretanto, o cenário mudou. O volume da bebida teve papel importante na quantidade final ingerida. Isso acontece porque uma dose de expresso costuma ser muito menor do que uma xícara de café preparada por outros métodos.
Outro estudo, publicado no Journal of the Science of Food and Agriculture, ilustra essa diferença. Nas condições específicas testadas pelos pesquisadores, uma porção de café filtrado apresentou 316 miligramas de cafeína, enquanto uma de expresso continha 64 miligramas.
Dessa forma, os números não devem ser utilizados como valores fixos para qualquer café. Eles mostram como tamanho da porção e forma de preparo podem alterar a comparação.
Não existe uma concentração única de cafeína para todos os cafés. Segundo as revisões científicas, vários fatores são capazes de modificar a quantidade encontrada na bebida, entre eles espécie do café, temperatura da água, tempo de preparo, pressão, moagem e proporção entre água e pó.
O grão também faz diferença. A espécie Coffea canephora, conhecida como robusta ou conilon, tende a apresentar mais cafeína que a Coffea arabica. Até cafés preparados pelo mesmo método podem apresentar diferenças consideráveis.
Uma pesquisa que analisou 97 expressos vendidos comercialmente encontrou uma média de 106 miligramas de cafeína por porção, mas os valores variaram de 25 a 214 miligramas. Isso significa que saber apenas se uma bebida é coada ou expressa não permite determinar exatamente quanta cafeína será ingerida.
Sim, embora em quantidade muito menor. Segundo a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, uma xícara de aproximadamente 240 mililitros de café descafeinado costuma apresentar entre 2 e 15 miligramas de cafeína.
Para comparação, a agência utiliza como referência aproximadamente 95 miligramas em uma xícara de tamanho semelhante de café comum.
O processo de descafeinação retira grande parte da substância presente originalmente nos grãos, mas pequenas quantidades podem permanecer. Por isso, descafeinado não significa o mesmo que sem cafeína.
A torra também pode influenciar a quantidade de cafeína extraída, mas não permite estabelecer uma regra simples baseada apenas na cor ou na intensidade do café.
Um estudo publicado na revista Scientific Reports comparou cafés de torra média e escura preparados por diferentes condições de extração. Nas condições analisadas, as concentrações de cafeína foram maiores nas bebidas feitas com café de torra média do que naquelas preparadas com torra escura.
Outros trabalhos mostram que a quantidade final de cafeína depende de uma combinação de fatores, incluindo espécie do café, grau de torra e método de preparo. Por isso, escolher um café apenas pela intensidade do sabor ou pela cor não é uma maneira precisa de estimar a dose de cafeína.