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Quanto maior a autonomia da IA, maior a importância de avaliar e supervisionar seus resultados (Getty Images)
Redatora
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 06h08.
Durante muito tempo, usar tecnologia no trabalho significava aprender a operar uma ferramenta.
Agora, uma parte cada vez maior das tarefas pode ser delegada a ferramentas que escrevem, analisam informações, criam apresentações e até executam etapas inteiras de um processo.
A mudança cria uma situação curiosa. Quanto mais trabalho pode ser entregue à IA, menos evidente fica quem deve responder pelo resultado.
Uma resposta pode estar bem escrita e ainda conter um erro. Uma análise pode parecer convincente sem considerar uma informação importante. Um agente pode executar corretamente as instruções recebidas e, mesmo assim, tomar uma decisão inadequada para aquele contexto.
É aí que uma habilidade antiga ganha uma função nova.Quando uma pessoa recebe um resultado produzido por IA, existe uma etapa que não pode ser automatizada por completo: decidir se aquilo merece confiança.
A avaliação depende do contexto. Um erro em uma sugestão de título pode ser facilmente corrigido, mas uma informação incorreta em um relatório financeiro, por exemplo, pode ter consequências maiores.
Por isso, saber trabalhar com IA envolve mais do que formular bons comandos. É preciso reconhecer limitações, conferir informações e perceber quando a resposta parece plausível demais para ser aceita sem questionamento.
A relação com a IA pode parecer contraditória.
Para aproveitar seus ganhos de produtividade, o profissional precisa confiar o suficiente para delegar tarefas. Ao mesmo tempo, precisa manter uma postura crítica diante do resultado.
Essa confiança é construída por etapas. Uma equipe pode começar usando IA para resumir documentos e, depois de validar a qualidade das respostas, ampliar seu uso para outras atividades.
Quanto maior a consequência de um erro, maior tende a ser a necessidade de revisão humana.
O próprio funcionamento dessas ferramentas reforça a questão. A IA produz respostas a partir dos dados e das instruções disponíveis, mas não conhece automaticamente todas as particularidades de uma empresa, de um cliente ou de uma situação profissional.
Conferir números, comparar informações com fontes confiáveis, identificar respostas sem evidências e interromper uma automação quando ela começa a sair do objetivo original.
Em tarefas mais sensíveis, pode significar estabelecer etapas obrigatórias de aprovação antes que uma ação seja executada.
O profissional torna-se responsável por a definir critérios para avaliar o que a tecnologia entrega e assumir a responsabilidade pela decisão final.
A expansão da IA tende a tornar mais fácil produzir determinados tipos de conteúdo e executar tarefas repetitivas.
Se todos conseguem gerar um texto, uma apresentação ou uma análise em poucos minutos, a diferença entre profissionais não estará necessariamente na capacidade de produzir aquele primeiro resultado.
Ela pode aparecer na capacidade de formular perguntas melhores, identificar o que falta, interpretar informações contraditórias e decidir o que fazer com a resposta recebida.