Demência: estudo acompanhou mais de 12 mil pessoas por 26 anos (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 31 de agosto de 2026 às 16h26.
Algumas escolhas feitas durante a meia-idade podem influenciar a saúde cerebral por décadas. Um novo estudo, divulgado no início deste mês, sugere que determinados cuidados adotados entre os 45 e os 65 anos estão associados a um período significativamente maior sem demência.
A diferença chamou a atenção dos pesquisadores: pessoas que não apresentavam três importantes fatores de risco na meia-idade viveram, em média, quase 13 anos a mais sem demência do que aquelas expostas aos três.
A descoberta, publicada na revista Neurology, surgiu a partir do acompanhamento de mais de 12 mil pessoas, inicialmente sem demência aos 55 anos. Os participantes foram avaliados no começo da pesquisa e acompanhados por uma média de 26 anos.
Durante o estudo, os cientistas observaram três condições de saúde e comportamentos já relacionados ao risco de demência. A ausência desses fatores esteve associada a um período mais longo de vida sem a doença. Entre os participantes que não apresentavam nenhum dos três fatores, o tempo vivido sem demência foi quase 13 anos maior.
A diferença não significa que essas escolhas sejam capazes de impedir a demência. Os pesquisadores identificaram uma associação, mas não demonstraram que os fatores analisados sejam, isoladamente, a causa direta da doença.
O resultado, porém, reforça a importância de medidas de prevenção adotadas antes do aparecimento de alterações cognitivas.
Os fatores analisados na pesquisa estão relacionados a condições que podem ser acompanhadas ou modificadas ao longo da vida.
A pressão alta foi um dos fatores considerados pelos pesquisadores. A hipertensão prolongada pode afetar os vasos sanguíneos e está relacionada a problemas cardiovasculares e cerebrais.
Por isso, acompanhar regularmente a pressão e tratar alterações quando necessário pode fazer parte dos cuidados com a saúde ao longo da vida.
O segundo fator analisado foi o diabetes. A doença está associada a alterações nos vasos sanguíneos e pode aumentar o risco de problemas que afetam o funcionamento do cérebro.
Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico estão entre as medidas usadas para controlar fatores relacionados à doença.
O terceiro fator foi o tabagismo, conhecido por aumentar o risco de diversas doenças cardiovasculares e respiratórias.
Como a saúde dos vasos sanguíneos também está relacionada ao funcionamento cerebral, evitar o cigarro pode contribuir para reduzir diferentes riscos acumulados ao longo da vida.
A relação entre saúde cardiovascular e demência já é conhecida pela ciência. O diferencial desta pesquisa foi observar os participantes durante décadas para avaliar como os fatores presentes na meia-idade se relacionavam com o período posterior sem a doença.
Esse período é especialmente relevante porque algumas alterações associadas à demência podem começar muitos anos antes do diagnóstico. Assim, medidas adotadas quando a pessoa ainda não apresenta problemas de memória podem ter relação com sua saúde cerebral no futuro.
Os pesquisadores também encontraram diferenças entre os grupos analisados. As mulheres viveram mais tempo sem demência do que os homens, enquanto participantes brancos apresentaram mais anos livres da doença do que participantes negros.
Esses resultados, contudo, não indicam que sexo ou raça determinem o risco individual. Diferenças genéticas, sociais, ambientais e relacionadas ao acesso à saúde também podem influenciar essas associações.O estudo se soma a pesquisas anteriores que identificaram 14 fatores de risco modificáveis relacionados à demência. A lista inclui condições de saúde e aspectos do estilo de vida que podem ser tratados ou alterados.
Segundo os pesquisadores, fatores como alimentação e atividade física podem influenciar sobretudo o controle da pressão arterial e do diabetes. O tabagismo, por sua vez, também pode ser modificado.
Os autores ressaltam, porém, que a demência não depende de um único fator. Genética, idade e outras condições de saúde também podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Por isso, os resultados devem ser interpretados como uma associação, e não como uma garantia de prevenção.