Sistema Solar: padrões nas órbitas de objetos distantes alimentam a hipótese da existência de um nono planeta (adventtr/Getty Images)
Redatora
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 11h52.
A possibilidade de existir um nono planeta escondido nos confins do Sistema Solar continua intrigando astrônomos. Embora nenhum objeto desse tipo tenha sido observado diretamente, padrões incomuns nas órbitas de corpos muito distantes de Netuno mantêm viva a hipótese do chamado Planeta 9.
Um dos principais defensores dessa hipótese é o astrônomo Konstantin Batygin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Em 2016, ele e o pesquisador Michael Brown propuseram que a presença de um planeta ainda desconhecido poderia explicar parte do comportamento observado em objetos além de Netuno.
Agora, em entrevista ao Space.com, Batygin afirmou que as evidências reunidas até então continuam compatíveis com essa possibilidade, mas ressaltou que a confirmação depende de novas observações.
A hipótese atual é diferente da antiga busca pelo chamado Planeta X, iniciada no começo do século XX para explicar supostas irregularidades nas órbitas de Urano e Netuno.
Dados obtidos posteriormente, inclusive durante os encontros da Voyager 2 com esses planetas, mostraram que seus movimentos podiam ser explicados sem a presença de um planeta adicional.
Hoje, a procura se concentra muito mais longe. Astrônomos analisam as órbitas de pequenos corpos localizados nas regiões externas do Sistema Solar. Alguns deles apresentam características consideradas incomuns, como agrupamento orbital, grandes distâncias do periélio — ponto de maior aproximação do Sol —, órbitas altamente inclinadas e até movimentos retrógrados.
Segundo Batygin, um planeta distante poderia exercer influência gravitacional sobre esses objetos e produzir parte desses padrões.
Em uma pesquisa apresentada em 2024, Batygin e seus colegas analisaram objetos de longo período e baixa inclinação cujas trajetórias atravessam a órbita de Netuno. Esses corpos são considerados dinamicamente instáveis e, por isso, sua população precisa ser constantemente renovada.
De acordo com o astrônomo, as simulações com a presença do Planeta 9 reproduziram naturalmente a população observada. Já os modelos sem o planeta apresentaram maior dificuldade para explicar os dados depois de considerados os vieses observacionais.
Isso, porém, não representa uma confirmação da existência do planeta. O próprio Batygin afirma que o cenário ficou mais complexo à medida que novos objetos foram descobertos e alerta que nem todos os corpos distantes precisam apresentar o mesmo tipo de agrupamento.Na ausência de uma imagem direta, Batygin considera que uma evidência importante seria encontrar, em uma amostra muito maior de objetos, diferentes padrões orbitais apontando independentemente para as mesmas características de um planeta desconhecido.
Se distribuições de órbitas, inclinações e distâncias apresentassem simultaneamente as estruturas previstas pela teoria, seria mais difícil explicar os dados sem a presença de um corpo exercendo influência gravitacional sobre a região.
Uma das principais expectativas está no Observatório Vera C. Rubin, no Chile, projetado para realizar levantamentos amplos e repetidos do céu.
Com a descoberta de um número muito maior de objetos distantes, os astrônomos poderão verificar se os padrões encontrados nas pequenas amostras atuais permanecem quando o conjunto de dados aumentar.
Essas observações podem fornecer evidências mais fortes a favor do Planeta 9 ou apontar para outra explicação para o comportamento dos objetos nas regiões externas do Sistema Solar.