Américas: novas evidências geológicas ajudam a reconstruir a colisão que moldou parte do continente (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 9 de setembro de 2026 às 19h45.
A principal fase da colisão tectônica entre a América Central e a América do Sul pode ter ocorrido milhões de anos antes do que os cientistas estimavam. A conclusão é de um estudo publicado na revista Earth and Planetary Physics, que analisou rochas vulcânicas na Colômbia e encontrou evidências de que a deformação mais intensa da crosta terrestre já havia diminuído há cerca de 10 milhões de anos.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, sugere que os eventos mais importantes dessa colisão aconteceram principalmente entre o Oligoceno e o Mioceno Médio, antecipando a cronologia aceita até então.
Para reconstruir a história geológica da região, os pesquisadores estudaram rochas vulcânicas da Província Vulcânica de Combia, nos Andes do Norte da Colômbia, formadas entre aproximadamente 12 milhões e 6 milhões de anos atrás.
A equipe utilizou uma técnica conhecida como análise de fábrica magnética, que examina a orientação dos minerais magnéticos presentes nas rochas. Esse método permite identificar se a estrutura interna foi preservada desde a formação do magma ou se sofreu deformações provocadas por movimentos das placas tectônicas.
Segundo os autores, a maior parte das rochas manteve suas características magnéticas originais, indicando que sofreu pouca ou nenhuma deformação tectônica significativa durante o Mioceno Superior.
Embora alguns locais apresentassem sinais de compressão, esses efeitos foram limitados e restritos a áreas específicas. De acordo com o estudo, isso indica que o período de maior encurtamento da crosta terrestre e de deformação associado à colisão entre a América Central e a América do Sul já havia praticamente terminado quando essas rochas se formaram.
Para os pesquisadores, esse resultado aponta que a fase mais intensa da colisão ocorreu antes do que se imaginava, principalmente entre o Oligoceno e o Mioceno Médio, e não durante o Mioceno Superior, como sugeriam interpretações anteriores.
Segundo os autores, os resultados ajudam a refinar os modelos sobre a formação dos Andes do Norte e a evolução tectônica das Américas.
Além disso, o trabalho demonstra o potencial da análise de estruturas magnéticas em rochas vulcânicas para reconstruir processos tectônicos antigos, sobretudo em regiões onde outros registros geológicos são limitados.
Diante disso, os pesquisadores destacam que compreender quando ocorreram essas grandes colisões entre placas tectônicas é fundamental para explicar a formação das cadeias montanhosas e a evolução geológica do continente americano.