Ciência

Foguete da SpaceX vai atingir a Lua nesta quarta; veja o que pode acontecer com colisão

Estágio de um Falcon 9 lançado em 2025 deve atingir a superfície lunar e ajudar cientistas a estudar impactos e poeira na Lua

Lua: estágio de um foguete da SpaceX deve atingir a superfície lunar nesta quarta-feira. (AFP)

Lua: estágio de um foguete da SpaceX deve atingir a superfície lunar nesta quarta-feira. (AFP)

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 06h45.

Última atualização em 5 de agosto de 2026 às 07h34.

Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve atingir a superfície da Lua nesta quarta-feira, 5. O objeto, que permaneceu vagando pelo espaço por cerca de 19 meses após lançar duas missões lunares em janeiro de 2025, colidirá com o satélite natural a aproximadamente 8.750 km/h, em um evento considerado raro por cientistas.

Segundo pesquisadores, a colisão ocorrerá próximo às crateras Einstein e Bell, na borda visível da Lua. Apesar de não representar qualquer risco para a Terra, o impacto poderá levantar uma grande nuvem de poeira e detritos que poderá ser observada por telescópios em solo e por sondas em órbita lunar.

Por que o foguete vai atingir a Lua?

O estágio do Falcon 9 foi utilizado no lançamento das missões Blue Ghost-1, da Firefly Aerospace, e Hakuto-R Mission 2, da empresa japonesa ispace, em janeiro de 2025.

Após colocar as espaçonaves em trajetória rumo à Lua, o foguete esgotou seu combustível. Sem capacidade para retornar à atmosfera terrestre ou seguir para o espaço profundo, passou a orbitar em uma trajetória instável até que sua rota passou a convergir com a superfície lunar.

O objeto mede cerca de 12 metros de comprimento, pesa aproximadamente quatro toneladas e deve atingir a Lua na manhã desta quarta-feira (horário de Brasília).

O que os cientistas esperam observar?

Pesquisadores de universidades e centros espaciais afirmam que o evento representa uma oportunidade única para estudar como impactos artificiais se comportam na superfície lunar.

Simulações indicam que a colisão poderá formar uma cratera entre 20 e 30 metros de diâmetro e lançar uma coluna de poeira que poderá alcançar entre 75 e 100 quilômetros de altitude.

Embora o clarão inicial deva durar menos de um segundo, os cientistas acreditam que a nuvem de detritos poderá permanecer visível por alguns minutos contra o céu escuro ao redor da Lua, desde que as condições de observação sejam favoráveis.

O comportamento dessa pluma interessa especialmente porque um estágio de foguete é praticamente oco, produzindo efeitos diferentes daqueles provocados por asteroides ou meteoritos.

Impacto ajudará futuras missões à Lua

A NASA, universidades e outras agências espaciais pretendem utilizar a colisão para calibrar modelos de impactos lunares e compreender melhor como poeira e fragmentos são lançados após colisões.

As informações poderão ser úteis para futuras missões tripuladas e para a construção de infraestrutura permanente na Lua, já que os cientistas buscam entender o alcance que os fragmentos podem atingir e os riscos para astronautas e equipamentos.

O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, deve fotografar a região antes e depois da colisão para identificar a nova cratera e comparar as alterações provocadas pelo impacto.

Especialistas também esperam que a observação permita aprimorar técnicas para localizar impactos lunares em tempo real e interpretar dados de futuros sismômetros que deverão ser instalados na superfície do satélite.

Há risco para a Terra?

Não. Segundo a NASA, todo o material ejetado permanecerá na Lua. O impacto não altera a órbita do satélite nem oferece qualquer risco para a Terra.

Para os pesquisadores, trata-se de uma oportunidade científica rara. Como o momento, o local, a velocidade e a massa do objeto são conhecidos antecipadamente, será possível comparar as previsões feitas pelos modelos computacionais com o que realmente acontecerá durante a colisão.

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