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NFL quer ultrapassar US$ 1 bi em faturamento com transmissões, mas plano enfrenta barreiras

Planos da NFL para adicionar um 18º jogo e ampliar partidas internacionais enfrentam resistência de emissoras e do sindicato dos atletas.

Expansão da NFL tem levado liga a uma série de países do mundo, mas tem desagradado os jogadores. (Rick Doyle / Getty Images) (Rick Doyle/Getty Images)

Expansão da NFL tem levado liga a uma série de países do mundo, mas tem desagradado os jogadores. (Rick Doyle / Getty Images) (Rick Doyle/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 19h41.

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A temporada regular da National Football League (NFL) iniciou sua jornada em uma quarta-feira atípica, antecedendo um confronto internacional inédito programado para a quinta-feira. Conforme detalhado em uma reportagem publicada pela Bloomberg, a principal liga esportiva do planeta projeta passos ambiciosos rumo à globalização e à maximização de receitas, mas encontra barreiras estruturais significativas na relação com as emissoras parceiras e, sobretudo, na resistência do sindicato que representa os jogadores profissionais.

As diretrizes estratégicas da liga preveem a expansão do formato competitivo para incluir um 18º jogo na temporada regular de cada franquia, além da adição de até seis novas partidas em mercados internacionais. De acordo com fontes familiarizadas com o planejamento estratégico ouvidas pela Bloomberg, somente o pacote ampliado de direitos de transmissão internacional tem o potencial de injetar anualmente cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,10 bilhões) aos cofres da organização. O montante representa um acréscimo expressivo sobre os US$ 12,5 bilhões (cerca de R$ 63,80 bilhões) arrecadados anualmente por meio dos contratos vigentes de televisão e mídia.

Apesar da perspectiva de alta rentabilidade financeira, o plano de expansão esbarra em óbices operacionais no mercado de mídia tradicional. Empresas de comunicação e emissoras parceiras aparentam saturação de investimentos e ceticismo em relação a renegociações contratuais precipitadas. A rede Fox Corp., por exemplo, manifestou indisposição para abrir negociações sobre a revisão de seus acordos de transmissão antes do término da temporada de 2029.

O impasse trabalhista e as exigências sindicais

Paralelamente aos desafios com os detentores de direitos de transmissão, a National Football League Players Association (NFLPA) adota postura de rigorosa cautela diante de qualquer proposta que signifique aumento na carga de trabalho dos atletas. Sob o atual acordo de negociação coletiva, que permanece válido até março de 2031, a liga está impedida de superar o limite de dez partidas internacionais por temporada — sendo nove delas oficialmente agendadas para o calendário corrente.

Conforme apurado pela Bloomberg, não há consenso interno entre os jogadores sobre a viabilidade de estender a temporada regular ou multiplicar os deslocamentos intercontinentais. A aceitação de novos termos contratuais pela associação exigirá contrapartidas e concessões substanciais por parte da administração da liga. Entre as principais exigências ventiladas nos bastidores estão a criação de uma semana adicional de folga para cada franquia durante o campeonato, o direito facultativo de dispensa em treinamentos opcionais de pré-temporada, a ampliação do número de atletas no plantel ativo para mitigar o desgaste físico e uma divisão mais vantajosa das receitas globais geradas pela competição.

As discussões internas ocorrem em um cenário de reestruturação na liderança executiva do sindicato. A entidade passou por modificações recentes após a saída do ex-diretor executivo Lloyd Howell, Jr., e a subsequente eleição de JC Tretter para o cargo máximo da organização. Em aparições públicas recentes, Tretter classificou como improvável a abertura de renegociações antecipadas do acordo de trabalho coletivo antes do próximo ano, ressaltando que há um volume expressivo de consultas a serem realizadas junto aos atletas das 32 equipes antes de qualquer deliberação formal.

A aposta no ecossistema digital e global

Enquanto as negociações trabalhistas e contratuais avançam de forma gradual, o braço internacional da estratégia da NFL registra forte apelo comercial e excelente recepção por parte de plataformas de mídia digital. A modalidade tem expandido sua presença para além das fronteiras norte-americanas com eventos presenciais, programas de flag football e partidas oficiais em países da Europa, América do Sul e Oceania, com destaque para a realização inédita de um jogo em território australiano, na cidade de Melbourne.

Especialistas do setor de mídia apontam que o modelo de negócios da NFL se alinha perfeitamente ao perfil de grandes empresas globais de tecnologia e streaming. A parceria de distribuição com serviços como o DAZN e a Netflix — que assumiu compromissos de transmissão global para confrontos internacionais específicos — facilita o acesso simultâneo de torcedores em diferentes fusos horários. Executivos de plataformas de streaming destacam que a facilidade de navegação e a universalidade dos botões de reprodução ajudam a consolidar a marca em mercados emergentes. No entanto, a sustentabilidade e a expansão desse ecossistema dependem diretamente de acordos harmoniosos com os atletas que sustentam o espetáculo dentro dos gramados.

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