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Mistério das 'Flechas do Diabo' é desvendado após 4 mil anos

Cientistas descobriram de onde vieram as pedras de até 25 toneladas que formam um dos monumentos pré-históricos da Grã-Bretanha

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 19h22.

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As gigantescas "Flechas do Diabo", consideradas a mais alta fileira de pedras pré-históricas ainda preservada da Grã-Bretanha, escondiam um mistério que intrigava arqueólogos há décadas. Um estudo liderado pela Universidade Curtin, na Austrália, identificou pela primeira vez a origem das rochas e revelou que elas foram transportadas por pelo menos 18 quilômetros até o monumento há cerca de 4 mil anos.

A pesquisa, realizada em parceria com a Universidade de York e publicada nesta quarta-feira, 9, na revista científica Proceedings of the Royal Society A, indica que cada pedra pesa mais de 25 toneladas e veio de Brimham Rocks, em North Yorkshire, contrariando a hipótese de que os construtores utilizaram a jazida mais próxima.

Pedras vieram de uma região mais distante

As "Flechas do Diabo" ficam próximas à cidade de Boroughbridge, no norte da Inglaterra, e algumas das pedras alcançam cerca de sete metros de altura, formando um alinhamento incomum em uma área de planície.

Até agora, pesquisadores acreditavam que as rochas poderiam ter sido retiradas de Plumpton Rocks, uma formação geológica localizada mais perto do monumento. No entanto, as análises mostraram que a verdadeira origem é Brimham Rocks, localizada a pelo menos 18 quilômetros de distância.

Segundo os autores, isso demonstra que os construtores fizeram uma escolha deliberada, mesmo tendo à disposição fontes de pedra mais próximas.

Técnica identificou a origem sem danificar o monumento

Para descobrir a procedência das rochas, os pesquisadores utilizaram um método de amostragem de baixo impacto.

Com o auxílio de uma fita adesiva especial, a equipe coletou minúsculos grãos minerais da superfície das pedras. Depois, analisou a idade desses minerais e comparou suas características com amostras geológicas de diferentes regiões.

Os resultados confirmaram que as rochas das "Flechas do Diabo" vieram de Brimham Rocks e também descartaram a possibilidade de que elas tenham sido deslocadas naturalmente por geleiras. Isso reforça que o transporte foi realizado intencionalmente por comunidades pré-históricas.

Descoberta revela desafio da engenharia pré-histórica

Os pesquisadores estimam que as pedras foram erguidas durante o Neolítico Final ou o início da Idade do Bronze, por volta de 2000 a.C.

De acordo com o estudo, transportar blocos de mais de 25 toneladas por uma distância tão grande exigiu planejamento, organização coletiva e técnicas de engenharia muito mais sofisticadas do que se imaginava para a época.

A equipe também sugere que a escolha de uma fonte mais distante pode ter tido motivações além da praticidade. Para os autores, a paisagem de Brimham Rocks provavelmente possuía significado cultural, simbólico ou espiritual para aquelas comunidades.

Método poderá ajudar a desvendar outros monumentos

Os pesquisadores pretendem aplicar a mesma técnica em outros monumentos pré-históricos cujas pedras ainda têm origem desconhecida.

Além disso, novas escavações deverão ser realizadas tanto nas "Flechas do Diabo" quanto em Brimham Rocks para entender melhor quando os blocos foram extraídos, como foram transportados e quais métodos permitiram a construção de um dos monumentos megalíticos mais impressionantes da Grã-Bretanha.

Segundo os autores, essas investigações podem ampliar o conhecimento sobre as capacidades técnicas, a organização social e as escolhas culturais das populações que viveram na região há cerca de quatro milênios.

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