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Parto não é exclusivo dos humanos — e pode ser pior em outros primatas

Análise de 29 espécies desafia uma teoria aceita há décadas sobre a evolução do nascimento

Primata: estudo analisou como diferentes espécies enfrentam o parto (Freepik)

Primata: estudo analisou como diferentes espécies enfrentam o parto (Freepik)

Publicado em 1 de julho de 2026 às 08h54.

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O parto difícil pode não ser uma característica exclusiva dos seres humanos. Um novo estudo mostra que diversas espécies de primatas também enfrentam grandes desafios durante o nascimento e, em alguns casos, a desproporção entre a cabeça do filhote e o canal de parto é ainda maior do que a observada em humanos.

A descoberta foi feita por cientistas do University College London (UCL) e divulgada pela revista New Scientist na segunda-feira, 29. Para os resultados, a equipe reavaliou a anatomia de 29 espécies de primatas e concluiu que as dificuldades no parto podem ter surgido ainda nos primeiros representantes desse grupo, há mais de 50 milhões de anos.

Por que o parto humano pode não ser um caso único?

Durante décadas, cientistas acreditaram que os seres humanos eram os únicos primatas com partos especialmente difíceis.

A hipótese mais aceita era que esse desafio surgiu porque a evolução favoreceu uma pelve mais estreita para permitir a locomoção sobre duas pernas. Posteriormente, o aumento do tamanho do cérebro fez com que os bebês passassem a nascer com cabeças maiores, tornando o parto mais complexo.

Segundo os autores, essa explicação foi baseada em estudos antigos que indicavam que outros primatas possuíam canais de parto suficientemente largos para o nascimento dos filhotes.

Novo estudo revisou anatomia de 29 espécies

Os pesquisadores identificaram limitações nesses trabalhos anteriores e realizaram uma nova análise utilizando métodos adaptados à anatomia de diferentes primatas.

A equipe comparou o formato da pelve e do canal de parto com o tamanho e a forma do crânio dos recém-nascidos em 29 espécies. Os resultados mostraram que várias delas apresentam um canal pélvico relativamente estreito em relação ao tamanho da cabeça dos filhotes.

Entre os casos mais extremos estão os gálagos e saguis. Nessas espécies, a cabeça do recém-nascido pode ter quase o dobro da largura do canal de parto. Durante o nascimento, porém, adaptações temporárias da pelve ajudam a ampliar esse espaço e permitem a passagem do filhote.

As soluções encontradas pela evolução

Apesar da aparente dificuldade, diferentes primatas desenvolveram adaptações para facilitar o nascimento. Segundo os pesquisadores, gálagos, saguis e outras espécies de pequeno porte conseguem deslocar temporariamente os ossos da pelve durante o parto, ampliando significativamente o espaço disponível para a passagem do filhote.

Esse mecanismo não existe nos seres humanos. De acordo com os autores, uma pelve com esse grau de mobilidade comprometeria a estabilidade necessária para a locomoção sobre duas pernas.

O estudo também indica que os grandes símios, como gorilas e orangotangos, apresentam menor desproporção entre a cabeça dos filhotes e a via de parto. Os pesquisadores sugerem que essa diferença pode estar relacionada ao maior porte corporal desses animais.

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