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Espanha x Argentina: final da Copa será a 1ª entre ex-colonizador com ex-colônia

Assim como muitos jogos dessa edição da Copa, tensões para a grande final têm raízes históricas e vão muito além dos gramados

Final dessa Copa do Mundo será inédita: a primeira na história que oporá uma ex potência imperialista e sua antiga colônia no clímax do torneio (AFP)

Final dessa Copa do Mundo será inédita: a primeira na história que oporá uma ex potência imperialista e sua antiga colônia no clímax do torneio (AFP)

Publicado em 19 de julho de 2026 às 09h00.

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No clímax da maior Copa do Mundo da história está o duelo entre a Argentina e a Espanha na grande final deste domingo, 19. O jogo coloca a equipe latino-americana contra seu antigo colonizador, em uma situação até então inédita nas finais de Copa.

Ademais, Lionel Messi, principal nome da seleção argentina, mantém uma relação singular com a Espanha. Com apenas 13 anos, deixou Rosário para ingressar nas categorias de base do Barcelona, iniciando a trajetória que o transformaria em um dos maiores jogadores da história do futebol argentino, lado a lado com Diego Maradona.

A mudança para a Espanha fez com que o atacante passasse boa parte da adolescência longe da Argentina. Nos primeiros anos na Europa, sua família chegou a enviar uma fita com lances do jogador à Associação do Futebol Argentino (AFA) para reforçar o desejo de Messi de defender a seleção argentina, apesar do interesse da Espanha em naturalizá-lo.

A ligação com o país europeu também marcou sua vida pessoal. Entre 2012 e 2018, seus três filhos nasceram em Barcelona, cidade onde o camisa 10 consolidou sua carreira antes de seguir para outras equipes do futebol internacional.

Espanha e Argentina: uma breve recapitulação

ARLINGTON, TEXAS - 14 DE JULHO: Mikel Oyarzabal, camisa 21 da Espanha, comemora com seus companheiros de equipe após converter um pênalti e marcar o primeiro gol da equipe durante a partida semifinal da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre França e Espanha, no Estádio de Dallas, em 14 de julho de 2026, em Arlington, Texas. Lars Baron/Getty Images/AFP (Foto de Lars Baron / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Comemoração espanhola em vitória contra a França, que garantiu seu lugar na final contra a Argentina (Lars Baron/Getty Images/AFP)

Nos gramados da Copa do Mundo, as seleções de elite surpreendentemente se enfrentaram apenas uma vez, em 1966, em um duelo que resultou na vitória argentina por 2-1. Em amistosos e em demais palcos internacionais do futebol, somam-se 14 encontros.

Nesses, as duas seleções apresentam um equilíbrio histórico perfeito, com exatamente seis vitórias para cada lado e dois empates. Além do jogo da fase de grupos de 1966, o confronto direto recente mais notável foi um amistoso em março de 2018, vencido pela Espanha por 6 a 1, com direito a  chapéu do meio-campista espanhol Francisco Román Alarcón Suárez, mais conhecido como Isco.

A história além dos gramados, todavia, é sangrenta e remonta a séculos.

A presença espanhola no território que hoje corresponde à Argentina teve início em 1516, quando o navegador Juan Díaz de Solís chegou à região do Rio da Prata. Inicialmente considerada uma área de importância econômica secundária pela Coroa espanhola, a região só ganhou protagonismo em 1776 com a criação do Vice-Reino do Rio da Prata, cuja capital foi estabelecida onde hoje é Buenos Aires.

Até lá, durante o período colonial, que abrangeu os séculos XVI e XIX, os espanhóis enfrentaram forte resistência de povos indígenas, o que dificultou a ocupação do território. A primeira fundação de Buenos Aires foi abandonada em 1541, e a cidade só foi restabelecida de forma permanente em 1580. A  subsequente criação do vice-reino teve como objetivo fortalecer o controle administrativo da Espanha, combater o contrabando e conter o avanço português na América do Sul.

No início do século XIX, o descontentamento com as restrições comerciais impostas pela metrópole e a crise política enfrentada pela Espanha impulsionaram o movimento de independência. A Revolução de Maio, em 1810, marcou o rompimento com a administração colonial, enquanto a independência foi oficialmente proclamada em 9 de julho de 1816, no Congresso de Tucumán.

A final contra o antigo inimigo, portanto, acontece apenas 10 dias após a comemoração anual da independência.

A consolidação do Estado argentino, no entanto, ocorreu apenas após décadas de disputas entre Buenos Aires e as províncias do interior. A organização institucional do país avançou com a Constituição de 1853, considerada um marco na formação da República Argentina.

Após a independência, a relação entre a Argentina e a Espanha passou a ser marcada por intensos fluxos migratórios. Entre 1857 e 1960, cerca de 2,2 milhões de espanhóis emigraram para o país sul-americano, acompanhados por milhões de italianos, o que transformou a composição demográfica da Argentina.

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