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Computação quântica atrai bilhões e acelera IPOs

Empresas correm para abrir capital em 2026, alcançam valuations de até US$ 17,3 bilhões e despertam interesse de investidores mesmo sem tecnologia madura

Bolsa de Valores: empresas de computação quântica aceleram IPOs. (Joshua Sortino/Unsplash)

Bolsa de Valores: empresas de computação quântica aceleram IPOs. (Joshua Sortino/Unsplash)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 5 de maio de 2026 às 15h04.

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A nova febre da tecnologia no mercado financeiro não é mais só inteligência artificial (IA). Empresas de computação quântica estão correndo para abrir capital em 2026 e atraindo bilhões de dólares.

Mesmo ainda distante de aplicações comerciais em larga escala, o setor já conta com expectativas de crescimento e com a comparação com o início da IA, segundo informações do Wall Street Journal (WSJ).

Este movimento se intensificou nos últimos meses após três companhias — Infleqtion, Xanadu e Horizon Quantum — abrirem capital em 2026, enquanto outras preparam suas estreias ao longo do ano.

E o mercado parece estar disposto a pagar caro por esse tipo de ativo. O CEO da Infleqtion, Matt Kinsella, disse ao jornal estadunidense que a companhia quis aproveitar a janela para garantir financiamento.

Para a Xanadu, tanto o dinheiro quanto o tempo para captá-lo importavam para a decisão de abertura de capital, informou o CEO e fundador da empresa, Christian Weedbrook. "É uma verdadeira corrida contra o tempo."

Valuations bilionários aquecem

A Xanadu chegou ao mercado avaliada em cerca de US$ 8,3 bilhões, enquanto a Infleqtion estreou com cerca de US$ 3,2 bilhões e a Horizon Quantum iniciou com um valor próximo de US$ 616 milhões.

Entre as companhias que já estavam listadas, os valores também são altos, a exemplo da IonQ, que alcançou, em média, US$ 17,3 bilhões em valor de mercado, e a D-Wave, a qual gira em torno de US$ 7,9 bilhões.

O vice-presidente de equity research da Wedbush Securities, Antoine Legault, destacou ao WSJ o nível de apetite dos investidores, pois, "se você tem ‘quantum’ no nome, já vale pelo menos US$ 1 bilhão".

Entre as próximas da fila estão empresas como Pasqal, com valuation estimado em US$ 2 bilhões, IQM (US$ 1,8 bilhão), Terra Quantum (US$ 3,3 bilhões) e Seeqc (US$ 1 bilhão), informou o veículo.

Tecnologia promissora em fase inicial

A computação quântica promete resolver problemas que hoje estão fora do alcance dos supercomputadores tradicionais, com aplicações em áreas como finanças, saúde e logística.

Apesar do entusiasmo, ela ainda está em estágio de desenvolvimento e não há certeza sobre quando isso vai se traduzir em receita. A expectativa do setor é que esses sistemas só se tornem viáveis no fim da década.

O analista sênior da Rosenblatt Securities, John McPeake, avaliou ao WSJ que o horizonte próximo ajuda a sustentar o interesse atual. "Não está tão distante assim", especialmente com o avanço de tecnologias.

Especialistas veem que este pode ser o momento ideal para entrar nesse mercado. "Você não quer estar 15 anos adiantado, mas também não quer estar 15 anos atrasado", segundo o CEO da Horizon, Joe Fitzsimons.

Brasil entra na corrida quântica

Com estimativas da McKinsey de que a tecnologia quântica pode destravar até US$ 2 trilhões em valor econômico na próxima década, governos aceleram investimentos para não perder espaço.

Estados Unidos e China já aportaram mais de US$ 42 bilhões, e o Japão direcionou cerca de US$ 7,4 bilhões. Já o Brasil tenta ganhar relevância com uma estratégia própria.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação prepara um plano que prevê R$ 5 bilhões em investimentos até 2034, focado na computação quântica fotônica e na exploração da biodiversidade nacional.

A vantagem se daria porque o Brasil tem milhões de moléculas a serem estudadas na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado.

"A gente não tem abundância de recursos da União Europeia, EUA, China, mas tem muito capital humano qualificado e queremos desenvolver isso", relatou o professor de física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pierre Louis de Assis, em entrevista à EXAME em dezembro de 2025.

*Com informações de Maria Eduarda Lameza, estagiária de jornalismo

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