Ciência

No jardim mais perigoso do mundo, cheirar flores pode ser letal

Cenário usado como Hogwarts em 'Harry Potter' reúne mais de 100 espécies tóxicas ligadas a venenos históricos e medicamentos

Jardim dos Venenos: espaço na Inglaterra abriga mais de 100 plantas tóxicas e narcóticas (Alnwick Garden/Divulgação)

Jardim dos Venenos: espaço na Inglaterra abriga mais de 100 plantas tóxicas e narcóticas (Alnwick Garden/Divulgação)

Publicado em 2 de junho de 2026 às 15h06.

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Atrás de portões de ferro marcados com uma caveira e o aviso “estas plantas podem matar” fica um dos jardins mais perigosos do mundo. Conhecido como Jardim dos Venenos, o espaço reúne mais de 100 espécies tóxicas, narcóticas e letais nos terrenos do Castelo de Alnwick, no norte da Inglaterra. As informações são da BBC.

O local ficou mundialmente conhecido por servir de cenário para Hogwarts nos primeiros filmes da franquia “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e “Harry Potter e a Câmara Secreta”.

Apesar do apelo turístico, o espaço exige cuidados rigorosos. Antes das visitas, turistas recebem orientações de segurança e são alertados para não tocar, cheirar ou provar nenhuma espécie cultivada no jardim.

A planta mais venenosa do mundo está no local

Entre as espécies cultivadas está a Ricinus communis, conhecida como mamona e considerada pelo Guinness World Records uma das plantas mais venenosas do planeta.

Ela produz a ricina, toxina extremamente perigosa que pode ser fatal mesmo em quantidades microscópicas.

Ao mesmo tempo, a planta também dá origem ao óleo de rícino, usado há séculos em cosméticos, medicamentos e produtos industriais após processos que eliminam a substância tóxica.

Ricinus communis, conhecida como mamona. Foto: Unsplash

Ricinus communis, conhecida como mamona. Foto: Unsplash (Unsplash)

Algumas espécies causam danos só com o contato

O jardim abriga espécies capazes de provocar reações graves apenas pelo toque ou pela inalação de substâncias liberadas pelas plantas. Uma das mais perigosas é a Dendrocnide moroides, espécie australiana coberta por pequenos pelos que liberam toxinas ao entrar em contato com a pele.

Segundo os responsáveis pelo espaço, a sensação provocada já foi comparada a queimaduras intensas e choques elétricos simultaneamente, podendo durar semanas ou até meses.

Outra espécie que exige cuidados extremos é a Prunus laurocerasus, capaz de liberar compostos relacionados ao cianeto quando cortada ou mastigada.

Jardim mistura venenos históricos e medicamentos modernos

Segundo a BBC, muitas das espécies cultivadas têm ligação direta com medicamentos usados atualmente. A Digitalis purpurea, por exemplo, contém compostos utilizados em tratamentos cardíacos. Já a Taxus baccata contribuiu para o desenvolvimento de medicamentos contra câncer de mama.

Outra planta famosa é a Atropa belladonna, historicamente associada à bruxaria e a substâncias alucinógenas. Dela também é extraída a atropina, utilizada até hoje em emergências médicas e exames oftalmológicos.

O jardim ainda abriga a Conium maculatum, conhecida por ter sido usada na execução do filósofo Sócrates na Grécia Antiga.

Espécies comuns também podem ser perigosas

Uma das maiores surpresas para visitantes é descobrir que várias espécies tóxicas são comuns em jardins domésticos. Entre elas está a Nerium oleander, arbusto ornamental bastante difundido em regiões tropicais e subtropicais.

A planta contém substâncias capazes de afetar o funcionamento do coração e provocar náuseas, vômitos e arritmias graves.

Rododendrose azaléias também fazem parte da coleção. Suas flores produzem toxinas que podem contaminar o mel produzido por abelhas, originando o chamado “mel louco”, associado desde a Antiguidade a episódios de intoxicação.

Além das espécies venenosas, o espaço cultiva plantas ligadas à produção de drogas, como papoulas do ópio, cannabis e khat. Os responsáveis afirmam que o objetivo é unir educação científica, farmacologia, história e conscientização sobre toxicologia.

Mesmo cercado por histórias de venenos e substâncias fatais, o Jardim dos Venenos se tornou uma das atrações mais conhecidas da Inglaterra justamente por mostrar como beleza, risco e medicina muitas vezes coexistem no mundo vegetal.

Jardineiro usa traje de proteção para manusear uma das plantas mais perigosas do Jardim dos Venenos. Foto: Divulgação/The Alnwick Garden (Divulgação/The Alnwick Garden)

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