(Ana Maria Serrano/Getty Images)
Redatora
Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h21.
Última atualização em 28 de abril de 2026 às 19h36.
Um suplemento diário de vitamina D pode potencializar a quimioterapia em mulheres com câncer de mama. É o que mostrou um estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-UNESP), apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A pesquisa acompanhou 80 mulheres com mais de 45 anos, divididas em dois grupos. Os resultados foram publicados na revista Nutrition and Cancer.
As participantes foram divididas em um grupo, que recebeu dose diária de 2.000 UI (unidades internacionais) de vitamina D, enquanto o outro tomaram comprimidos de placebo. Todas foram submetidas à quimioterapia neoadjuvante — tratamento aplicado antes da cirurgia para reduzir tumores.
Após seis meses, a diferença foi significativa:
O aumento percentual na taxa de sucesso foi de aproximadamente 79%.
Eduardo Carvalho-Pessoa, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia da Região de São Paulo e um dos autores do estudo, afirmou que a dosagem utilizada (2.000 UI por dia) está muito abaixo da dose usada para corrigir deficiência de vitamina D, que geralmente é de 50.000 UI por semana.
A maioria das participantes apresentava níveis baixos da vitamina no início do estudo (menos de 20 ng/mL). A Sociedade Brasileira de Reumatologia recomenda níveis entre 40 e 70 ng/mL.
A vitamina D é conhecida por ajudar o corpo a absorver cálcio e fósforo para a manutenção dos ossos. No entanto, evidências científicas mostram que ela também desempenha um papel no sistema imunológico, ajudando o organismo a se defender contra infecções e doenças, incluindo o câncer.
Carvalho-Pessoa destacou que o suplemento é uma opção acessível e de baixo custo em comparação com outros medicamentos usados para melhorar a resposta à quimioterapia, alguns dos quais não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores alertam que ainda são necessários mais estudos. A dose usada foi considerada segura, mas a ingestão excessiva de vitamina D pode ser prejudicial, causando sintomas como vômitos, fraqueza, dor óssea e pedras nos rins. As diretrizes atuais recomendam 600 UI por dia para a maioria dos adultos e 800 UI para idosos.
"Estes são resultados encorajadores que justificam uma nova rodada de estudos com um número maior de participantes. Isso permitirá uma melhor compreensão do papel da vitamina D no aumento da resposta ao tratamento quimioterápico e, consequentemente, na maior probabilidade de remissão do câncer de mama", afirmou o pesquisador.