T.rex dos mares: Paleontólogos identificam espécie colossal que ficou décadas confundida com outro réptil marinho (Cortesia do Museu Americano de História Natural)
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Publicado em 2 de junho de 2026 às 10h58.
Um grupo de paleontólogos identificou uma nova espécie de mosassauro gigante que viveu há cerca de 80 milhões de anos nos mares que cobriam parte da América do Norte. Batizado de Tylosaurus rex, o animal foi descrito como um dos maiores e mais perigosos predadores marinhos já encontrados.
A descoberta foi liderada por pesquisadores do American Museum of Natural History, do Perot Museum of Nature and Science e da Southern Methodist University. O estudo foi publicado no periódico científico Bulletin of the American Museum of Natural History, no último dia 23 de maio.
Os pesquisadores estimam que o Tylosaurus rex podia atingir cerca de 13 metros de comprimento, superando muitos dos maiores tubarões da história e rivalizando com alguns dos mais impressionantes répteis marinhos conhecidos.
Embora o nome remeta ao famoso Tyrannosaurus rex, os mosassauros não eram dinossauros. Eles pertenciam a um grupo de grandes répteis marinhos aparentados, de forma distante, aos lagartos-monitores modernos e ao dragão-de-komodo.
O animal possuía dentes finamente serrilhados, mandíbulas extremamente poderosas e musculatura robusta no pescoço, características que o transformavam em um caçador especializado de peixes, tartarugas e outros répteis marinhos.
O aspecto mais surpreendente da descoberta é que os fósseis não eram novos. Durante décadas, diversos exemplares encontrados principalmente no norte do Texas foram classificados como pertencentes a outra espécie, o Tylosaurus proriger. Uma revisão detalhada das estruturas ósseas revelou diferenças suficientes para reconhecer um animal completamente distinto.
A paleontóloga Amelia Zietlow, autora principal do estudo, explicou que a descoberta vai além da identificação de uma nova espécie. “Esta descoberta não se trata apenas de nomear uma nova espécie. Ela destaca a necessidade de revisitar pressupostos antigos sobre a evolução dos mosassauros e modernizar as ferramentas que usamos para estudar esses icônicos répteis marinhos.”
Alguns fósseis também revelaram evidências de confrontos brutais. Pesquisadores identificaram lesões severas em determinados exemplares, incluindo danos na região do focinho e da mandíbula. As marcas sugerem que indivíduos da mesma espécie poderiam lutar entre si, comportamento semelhante ao observado em grandes predadores atuais e inferido para alguns dinossauros carnívoros.
Segundo os cientistas, essas evidências reforçam a imagem de um animal altamente agressivo e dominante em seu ecossistema.
A pesquisa também questiona uma base de dados usada há décadas para estudar as relações evolutivas dos mosassauros.
Os autores reconstruíram parte da árvore genealógica do grupo e concluíram que diversos trabalhos anteriores podem precisar de revisão. Para os especialistas, o Tylosaurus rex não representa apenas uma nova espécie, mas um sinal de que ainda existem interpretações importantes a serem corrigidas na paleontologia dos grandes predadores marinhos.
Michael Polcyn, coautor do estudo e pesquisador da Southern Methodist University, afirmou que os resultados “reformulam tanto a imagem física quanto a compreensão evolutiva dos mosassauros” e inauguram “uma nova era de pesquisa” sobre esses animais.
Durante décadas, os fósseis desse superpredador permaneceram armazenados em museus sob o nome errado. Agora, eles revelam que os mares do período Cretáceo abrigavam um caçador ainda mais impressionante do que se imaginava, um verdadeiro soberano dos oceanos muito antes de o famoso Tyrannosaurus rex caminhar pela Terra.