Ciência

Nasa testa sistema que transforma fezes de astronautas em adubo para a Lua

Sistema busca reaproveitar resíduos humanos para produzir água e nutrientes em futuras missões lunares

Nasa: tecnologia prevê reciclar fezes e urina para futuras missões espaciais (Nasa/Divulgação)

Nasa: tecnologia prevê reciclar fezes e urina para futuras missões espaciais (Nasa/Divulgação)

Publicado em 13 de junho de 2026 às 10h02.

A Nasa enviou para a Universidade de Dakota do Norte uma tecnologia que poderá ajudar astronautas a viver por longos períodos na Lua. O sistema foi desenvolvido para transformar resíduos produzidos pela tripulação em recursos úteis, como água reutilizável e nutrientes para o cultivo de plantas.

A chamada Unidade de Tratamento de Esgoto Desdobrável Divergente (DSFTF, na sigla em inglês) foi enviada do Centro Espacial Kennedy e será integrada a um habitat experimental projetado para simular condições de vida em outro planeta.

De acordo com informações da Nasa, o projeto faz parte dos esforços para desenvolver sistemas sustentáveis capazes de reduzir a dependência de suprimentos enviados da Terra. A agência busca criar ciclos fechados de reaproveitamento de recursos, considerados importantes para futuras missões de longa duração.

Como funciona o sistema da Nasa

Instalada em um trailer adaptado, a estrutura reúne três biorreatores, sistemas de tratamento de água, monitoramento ambiental, softwares de controle e um jardim vertical.

Diferentemente dos sistemas convencionais de tratamento de esgoto, a tecnologia mantém os diferentes tipos de resíduos separados desde a origem. Fezes, restos de alimentos, urina e águas residuais provenientes de atividades de higiene passam por processos específicos de tratamento.

Segundo a Nasa, um dos biorreatores deve converter resíduos fecais e alimentares em uma solução rica em nutrientes que pode ser utilizada no cultivo hidropônico de plantas. Outros sistemas tratam a urina e as águas residuais para recuperação e reutilização da água.

Os pesquisadores também irão comparar o crescimento de plantas alimentadas pelos nutrientes produzidos pelo sistema com o de cultivos hidropônicos tradicionais.

Testes simulam condições de uma futura base lunar

A unidade será conectada ao Habitat Integrado Análogo Lunar/Marciano da Universidade de Dakota do Norte, um ambiente projetado para reproduzir desafios operacionais semelhantes aos enfrentados por astronautas em missões espaciais.

Segundo Ali Alshami, professor de Engenharia Química da universidade, os testes permitirão avaliar o desempenho da tecnologia em condições próximas às do uso real. Entre os aspectos analisados estão a confiabilidade do sistema, as necessidades de treinamento da tripulação e a eficiência da recuperação de recursos.

Os experimentos também ajudarão a comparar o comportamento de simuladores de resíduos com os resíduos metabólicos humanos produzidos em um ambiente análogo ao de uma missão espacial.

Tecnologia pode apoiar futuras missões à Lua e Marte

A Nasa afirma que o projeto integra seu programa de Sistemas de Suporte à Vida Biorregenerativos, voltado para o desenvolvimento de tecnologias capazes de reciclar água, recuperar nutrientes, apoiar a produção de alimentos e reduzir a quantidade de resíduos armazenados em habitats espaciais.

A iniciativa dá continuidade aos avanços obtidos pela agência em sistemas de reciclagem. Em 2023, a Nasa informou que o sistema de suporte à vida da Estação Espacial Internacional conseguiu recuperar cerca de 98% da água proveniente da urina, suor e respiração dos astronautas.

Segundo a agência, tecnologias de reaproveitamento de recursos como a DSFTF estão entre as soluções consideradas para viabilizar missões de longa duração na Lua, em Marte e em destinos ainda mais distantes do Sistema Solar.

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