Nasa: novo chip espacial poderá tornar naves mais autônomas (NASA/JPL-Caltech)
Redatora
Publicado em 18 de maio de 2026 às 11h50.
A Nasa está testando um novo chip de inteligência artificial desenvolvido para tornar futuras espaçonaves muito mais autônomas durante missões no espaço profundo. Segundo o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência, o processador já demonstrou desempenho até 500 vezes maior que o dos computadores atualmente usados em missões espaciais.
O projeto faz parte da iniciativa High Performance Spaceflight Computing, criada para ampliar a capacidade computacional das próximas gerações de sondas, orbitadores e veículos enviados ao espaço.
Os computadores utilizados hoje em espaçonaves são altamente resistentes à radiação, mas têm limitações para tarefas mais avançadas. Segundo a Nasa, futuras missões à Lua, Marte e ao espaço profundo exigirão sistemas mais rápidos e capazes de operar com menor dependência da comunicação com a Terra.
A expectativa é que o novo chip permita que espaçonaves utilizem inteligência artificial embarcada para tomar decisões em tempo real diante de situações inesperadas durante as missões.
Além disso, a tecnologia poderá acelerar análises científicas feitas diretamente a bordo, reduzindo o tempo necessário para processar e transmitir informações para a Terra.
O chip está sendo submetido a testes rigorosos no JPL, na Califórnia. Segundo a agência, os engenheiros avaliam como o processador reage à radiação intensa, grandes oscilações de temperatura, choques mecânicos e partículas de alta energia vindas do Sol e do espaço profundo.
A equipe também utiliza simulações de pousos planetários para medir o desempenho do sistema diante do processamento de enormes volumes de dados captados por sensores.
De acordo com Jim Butler, gerente do projeto, os primeiros resultados foram considerados bastante promissores.
O dispositivo utiliza o conceito conhecido como "Sistema em um Chip" (SoC na sigla em inglês), tecnologia que integra vários componentes computacionais em uma única unidade compacta.
De acordo com a Nasa, o sistema reúne memória, unidades de processamento, módulos auxiliares e interfaces de comunicação em um equipamento pequeno o suficiente para caber na palma da mão.
Embora sistemas semelhantes sejam comuns em smartphones e tablets, a versão criada para missões espaciais foi adaptada para operar durante anos no espaço profundo sem manutenção ou reparos.
O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Microchip Technology, empresa sediada no Arizona. A agência afirma que o novo processador poderá ser utilizado futuramente em orbitadores, sondas espaciais, veículos exploradores e habitats tripulados em missões à Lua e Marte.
A Nasa destaca que a tecnologia também pode gerar aplicações fora do setor espacial, sobretudo nas áreas de aviação e indústria automotiva.