Open Finance: compartilhamento de dados entre instituições financeiras permite negociar taxas e comparar ofertas de crédito (Magnific)
Colaboradora
Publicado em 27 de julho de 2026 às 11h26.
O Open Finance é um sistema regulado pelo Banco Central, uma evolução do antigo Open Banking, que permite que o próprio usuário autorize o compartilhamento de dados financeiros entre instituições. As informações compartilhadas podem facilitar a troca entre bancos ou servir como poder de barganha para conseguir crédito mais barato, por exemplo.
Em volume de dados compartilhados, o modelo brasileiro já é um dos maiores do mundo. Em fevereiro de 2026, o Open Finance registrava 154 milhões de consentimentos ativos e mais de 100 milhões de contas conectadas, segundo dados da Febraban e da estrutura de governança do sistema.
Enquanto o Open Banking se limitava a dados bancários, o Finance abrange investimentos, seguros, câmbio e previdência. O funcionamento depende de APIs — canais de comunicação padronizados entre os sistemas das instituições participantes — e opera sob fiscalização direta do Banco Central.
O controle é do usuário: nenhum dado circula sem autorização expressa pelo app do banco. Antes, esse compartilhamento durava até 12 meses, mas a partir da Resolução Conjunta nº 7/2023, as instituições passaram a oferecer prazos mais longos, com renovação simplificada. Ainda assim, o cliente pode cancelar a função quando achar necessário.
A principal é a portabilidade de informação. Quando um banco concorrente consegue enxergar o histórico de pagamentos e o perfil de crédito do cliente, a tendência é oferecer taxas mais compatíveis com o risco real — em vez de tratar o novo correntista como alguém sem histórico.
Desde fevereiro de 2026, a portabilidade de crédito pessoal sem garantia passou a funcionar de forma digital dentro do Open Finance. O prazo para conclusão da operação caiu de cinco para até três dias úteis, sem necessidade de ir ao banco de origem. A próxima etapa prevista é a portabilidade de crédito consignado para servidores públicos federais, com testes previstos para agosto de 2026.
Há também os ganhos de conveniência. É possível visualizar saldos, extratos, faturas de cartão e investimentos de diferentes bancos em um único app, além de comparar ofertas de crédito. Segundo o relatório State of Open Finance 2026, da Mastercard, 60% dos consumidores globais apontam a economia de tempo como o principal benefício de conectar contas financeiras.
O principal risco é o aumento da superfície de exposição. Quanto mais instituições acessam os dados do cliente, maior o número de pontos de contato.
O Banco Central prepara um endurecimento das regras para coibir a revenda de dados do Open Finance a empresas fora do sistema financeiro. Em julho de 2026, a presidente da Associação Open Finance Brasil, Ana Carla Abrão, confirmou que novas normas devem sair em até 60 dias para deixar explícito que informações compartilhadas pelo cliente não podem ser repassadas a terceiros sem vínculo regulatório.
Golpes de engenharia social são outro fator de atenção. Nesse tipo de fraude, os criminosos utilizam dados reais — nome, CPF, endereço e histórico de compras — para tornar abordagens falsas mais convincentes. Nenhuma instituição financeira pede senha, código de verificação ou transferência por telefone ou mensagem.
O retorno é maior para quem:
Para empresas, o potencial existe, mas a adesão ainda é baixa. Estudo da EY divulgado em janeiro de 2026 aponta que apenas 3% das empresas brasileiras estão conectadas ao Open Finance — contra 20% no Reino Unido. Entre os entraves está a complexidade do consentimento para pessoas jurídicas com múltiplos representantes legais.
Se o cliente não tem nenhuma vantagem concreta em troca de compartilhar seus dados, talvez não seja necessário o Open Finance. Por exemplo, se ele já tem taxas competitivas, bom relacionamento com o banco e não pretende buscar crédito ou trocar de instituição, o compartilhamento pode gerar mais ofertas de marketing do que benefício financeiro.
Um alerta é quando o consentimento é genérico demais. Antes de autorizar, a recomendação é verificar quais dados serão acessados, por qual instituição, por quanto tempo e com qual finalidade. Autorizações amplas, sem objetivo claro, aumentam o risco sem contrapartida.
Algumas dicas ajudam a tornar esse compartilhamento mais seguro. São elas:
A lista de instituições participantes está disponível no portal oficial do Open Finance Brasil (openfinancebrasil.org.br). Qualquer operação legítima de compartilhamento acontece dentro do app do banco — fora dele, é golpe.