Ciência

Mais músculos e menos gordura: os benefícios do café na saúde

Pesquisa com mais de 2 mil adultos identificou diferenças em marcadores metabólicos associados ao risco de diabetes tipo 2

Café: estudo associou o consumo habitual da bebida a diferenças na composição corporal e em marcadores metabólicos (Getty Images)

Café: estudo associou o consumo habitual da bebida a diferenças na composição corporal e em marcadores metabólicos (Getty Images)

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 08h41.

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O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e, há anos, vem sendo associado a um menor risco de doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Agora, um estudo realizado na Finlândia encontrou uma nova associação entre o consumo habitual da bebida e indicadores relacionados à composição corporal, ao metabolismo e aos hormônios sexuais.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Oulu e publicada no European Journal of Nutrition, analisou dados de mais de 2.200 adultos e identificou que pessoas que consumiam mais café tendiam a apresentar menos gordura corporal, maior massa muscular e diferenças em marcadores hormonais e metabólicos.

O que o estudo avaliou?

Os pesquisadores analisaram informações de 2.264 participantes, todos com 46 anos, da Coorte de Nascimentos do Norte da Finlândia de 1966.

A equipe comparou o consumo habitual de café com diferentes indicadores de saúde, incluindo composição corporal, metabólitos circulantes, fatores de risco cardiometabólicos e concentrações de hormônios sexuais.

Menos gordura corporal e mais massa muscular

Segundo os resultados, os participantes que consumiam mais café apresentavam, em média, menor quantidade de gordura corporal total, menos gordura visceral — localizada na região abdominal — e maior massa muscular esquelética.

Essas diferenças permaneceram mesmo quando pessoas com maior e menor consumo da bebida apresentavam índice de massa corporal (IMC) semelhante.

Os pesquisadores também observaram menores concentrações de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs) entre os consumidores mais frequentes de café. Quando permanecem elevados por longos períodos, esses aminoácidos já foram associados à resistência à insulina e ao aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Associação também apareceu nos hormônios

O estudo identificou diferenças hormonais principalmente entre os homens. Nos participantes do sexo masculino, o maior consumo de café esteve associado a um perfil glicêmico-insulinêmico considerado mais favorável, além de níveis mais elevados de testosterona total, testosterona biodisponível e da globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram níveis ligeiramente menores de testosterona livre e do índice de andrógeno livre.

Entre as mulheres, as associações foram mais discretas. O maior consumo de café esteve relacionado principalmente a níveis mais elevados de SHBG e menores concentrações de andrógenos livres.

Segundo o autor principal do estudo, Luca Verroest, um dos resultados que mais chamou a atenção foi a persistência dessas diferenças hormonais mesmo após o ajuste para fatores como IMC e hábitos de vida, além das diferenças observadas entre homens e mulheres.

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