Ciência

Mais uma xícara? Ciência encontra novos motivos para defender o café

Novo estudo mostra que a bebida pode beneficiar intestino, humor e até o cérebro, mesmo sem cafeína

Café: bebida afeta microbioma, reduz inflamação e influencia bem-estar de formas inesperadas (Geraldine Martens/Divulgação)

Café: bebida afeta microbioma, reduz inflamação e influencia bem-estar de formas inesperadas (Geraldine Martens/Divulgação)

Publicado em 9 de maio de 2026 às 06h40.

O café já era velho conhecido da ciência quando o assunto era energia, foco e disposição. Agora, um novo estudo amplia essa lista e sugere que a bebida pode fazer bem também ao intestino, ao humor e até à saúde mental, com efeitos que vão muito além da cafeína.

A pesquisa, publicada na Nature Communications nesta semana e feita por pesquisadores da Universidade de Cork, na Irlanda, analisou 62 adultos saudáveis, divididos entre consumidores regulares de café e pessoas que não tinham o hábito de beber a bebida. O objetivo era entender como o café influencia o chamado eixo intestino-cérebro, sistema que conecta o funcionamento digestivo à atividade cerebral.

Café ajuda na digestão

Os pesquisadores descobriram que o consumo regular de café altera a composição do microbioma intestinal, favorecendo bactérias associadas à digestão e à proteção do organismo. Entre elas estão microrganismos ligados à produção de ácidos e à síntese de bile, processos importantes para equilibrar o intestino e conter bactérias nocivas.

O impacto não ficou restrito ao sistema digestivo. O estudo também observou mudanças no humor e no comportamento. Tanto o café tradicional quanto o descafeinado foram associados à redução da percepção de estresse e a sinais menores de depressão. A diferença é que cada versão parece agir de um jeito.

Benefícios para além da cafeína

O café com cafeína mostrou efeitos mais fortes sobre atenção e ansiedade. Já o descafeinado chamou atenção por estar ligado à melhora na memória, no sono e até nos níveis de atividade física. O dado reforça uma suspeita que a ciência vem perseguindo há anos: os benefícios do café não dependem só da cafeína, mas também de compostos como polifenóis e antioxidantes.

Isso ajuda a explicar por que o café segue aparecendo em estudos ligados à longevidade, à saúde cardiovascular e à proteção cerebral. A bebida já foi associada a menor risco de doenças como diabetes tipo 2, Parkinson e problemas cardíacos quando consumida com moderação.

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