Mounjaro: fabricante desenvolve novo medicamento que atua sobre GLP-1, GIP e glucagon (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)
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Publicado em 30 de setembro de 2026 às 18h12.
Um novo medicamento experimental da mesma fabricante do Mounjaro levou pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade a perderem até 23,4% do peso corporal, segundo resultados de um estudo clínico de fase 3. Chamada retatrutida, a substância é desenvolvida pela Eli Lilly e atua sobre três hormônios relacionados ao metabolismo e à saciedade: GLP-1, GIP e glucagon.
Os resultados do estudo TRIUMPH-2 foram apresentados na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália, e publicados simultaneamente na revista científica The Lancet.
Na pesquisa, participantes que receberam a maior dose perderam, em média, 20,8% do peso após 80 semanas. Entre aqueles que começaram o tratamento com IMC igual ou superior a 35, a redução média chegou a 23,4%.
Além da perda de peso, o medicamento reduziu os níveis de hemoglobina glicada (A1C), indicador utilizado no acompanhamento do diabetes.
A retatrutida ainda não está aprovada para uso. A fabricante pretende solicitar autorização à FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, no primeiro trimestre de 2027.O ensaio clínico incluiu cerca de 1.152 pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade ou sobrepeso. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber semanalmente doses de 4 mg, 9 mg ou 12 mg de retatrutida, ou placebo.
Após 80 semanas, aqueles que receberam 4 mg perderam, em média, 13,5 kg, equivalentes a 12,7% do peso corporal. Na dose de 9 mg, a redução média chegou a 20,6 kg, ou 19,1% do peso. Já os participantes tratados com 12 mg perderam, em média, 22,5 kg, correspondentes a 20,8% do peso corporal.O resultado de 23,4% apareceu em um grupo específico. Entre participantes com IMC inicial igual ou superior a 35 que receberam 12 mg, a perda média foi de 27,5 kg, ou 23,4% do peso.
Ao final do estudo, 59,5% dos participantes tratados com a maior dose não preenchiam mais os critérios de IMC para obesidade.
Os pesquisadores também avaliaram os efeitos do tratamento sobre o controle do diabetes. A hemoglobina glicada A1C caiu, em média, 1,4 ponto percentual entre participantes tratados com 4 mg. Nas doses de 9 mg e 12 mg, as reduções médias foram de 1,6 e 1,5 ponto percentual, respectivamente.
Até 40% dos participantes atingiram níveis de A1C considerados dentro da faixa normal. Os pesquisadores também registraram mudanças em indicadores relacionados ao risco cardiovascular.
Na maior dose, houve reduções médias de 39,5% nos triglicerídeos, 19,6% no colesterol não-HDL e 10,8 mmHg na pressão arterial sistólica.
A circunferência da cintura diminuiu 16,9 centímetros, enquanto a proteína C-reativa de alta sensibilidade caiu 58,3%.
Os efeitos adversos mais frequentes foram diarreia, náusea, constipação, redução do apetite e vômito.
Também foram registrados casos de disestesia, alteração da sensibilidade que pode provocar sensações desagradáveis ou dolorosas, além de infecções do trato urinário.
Segundo os dados apresentados, os eventos foram geralmente leves ou moderados, e a maioria desapareceu durante o tratamento.
A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos estudados para obesidade e doenças metabólicas. Enquanto a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, atua sobre o receptor de GLP-1, a tirzepatida, presente no Mounjaro, atua sobre GLP-1 e GIP.
A retatrutida acrescenta um terceiro alvo: o receptor de glucagon. Por isso, é classificada como um agonista triplo dos receptores de GLP-1, GIP e glucagon.
Essas vias estão envolvidas em processos como controle da glicose, saciedade e metabolismo energético. A empresa também estuda o medicamento em pessoas com outras condições, incluindo apneia obstrutiva do sono e dor relacionada à osteoartrite do joelho.