Vida extraterrestre: pesquisadores defendem investigar novas faixas do espectro de rádio em busca de possíveis tecnoassinaturas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 1 de agosto de 2026 às 10h00.
A busca por vida inteligente fora da Terra pode ter ignorado uma parte importante do espectro de rádio durante décadas. Um novo estudo sugere que sinais de possíveis civilizações extraterrestres podem estar em frequências mais altas, raramente exploradas pelos projetos de Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI).
Os resultados foram apresentados durante o Encontro Nacional de Astronomia da Sociedade Real de Astronomia e publicados na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Na pesquisa, cientistas utilizaram dados arquivados do radiotelescópio ALMA, no Chile, para realizar o primeiro levantamento SETI do observatório e investigar uma faixa do espectro de rádio praticamente inexplorada.
Grande parte dos projetos SETI concentra suas observações entre 1,42 e 1,66 gigahertz (GHz), região conhecida como "buraco d'água".
Essa faixa fica entre as emissões naturais de hidrogênio e hidroxila, elementos que formam a água, e há décadas é considerada um local provável para comunicações interestelares. A hipótese é que uma civilização tecnologicamente avançada reconheceria a importância desses elementos e escolhesse essa região do espectro para transmitir ou monitorar sinais.
No novo estudo, a pesquisadora Louisa Mason, da Universidade de Manchester, decidiu investigar frequências mais altas utilizando observações arquivadas da Banda 3 do ALMA, originalmente coletadas para pesquisas astronômicas sem relação com o SETI.
Em vez de solicitar novas observações, ela analisou esses registros em busca de sinais de rádio de banda estreita, considerados mais compatíveis com tecnologia artificial do que com processos naturais do espaço.
A análise não identificou nenhuma tecnoassinatura — nome dado a possíveis sinais produzidos por tecnologia extraterrestre — acima dos limites de detecção do levantamento.
Apesar disso, os pesquisadores afirmam que o estudo demonstra o potencial das frequências milimétricas e submilimétricas para futuras buscas por vida inteligente. Segundo Mason, a iniciativa amplia a área de investigação do SETI ao explorar uma região do espectro de rádio que permanece praticamente inexplorada.
O levantamento utilizou apenas quatro observações arquivadas do ALMA, mas mostrou que telescópios que operam em frequências mais altas podem se tornar ferramentas importantes para futuras pesquisas.
Além de explorar novas frequências, o estudo revisou a forma como os cientistas estimam quantas estrelas são analisadas em cada observação de um radiotelescópio.
Tradicionalmente, esse cálculo é feito com base em catálogos estelares, como o Gaia. No entanto, esses registros não incluem todas as estrelas presentes no campo de visão dos telescópios, especialmente objetos muito tênues ou distantes.
Para contornar essa limitação, Mason utilizou o Modelo Galáctico de Besançon, uma simulação da distribuição de estrelas na Via Láctea.
Ao aplicar esse método a um levantamento anterior do SETI com 1.327 apontamentos de telescópio, a estimativa passou de cerca de 288 mil estrelas, identificadas pelo catálogo Gaia, para mais de 6,1 milhões de estrelas potencialmente incluídas na busca.
Além disso, os pesquisadores ressaltam que o fato de nenhum sinal ter sido detectado não significa que civilizações inteligentes não existam em outras partes da galáxia.
O levantamento analisou apenas quatro observações arquivadas e duas pequenas janelas de frequência, representando uma parcela limitada do espectro de rádio.
Para a equipe, os resultados reforçam a importância de ampliar as buscas para novas faixas de frequência e mostram que arquivos de observações já existentes podem ser reaproveitados para procurar possíveis sinais de tecnologia extraterrestre, sem a necessidade de realizar novas campanhas de observação.