Planta carnívora: pesquisadores comprovaram que a Saxifraga candelabrum captura, digere e absorve nutrientes de pequenos insetos (Xin-Jian Zhang/Divulgação)
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Publicado em 10 de agosto de 2026 às 08h44.
Mais de 150 anos depois de Charles Darwin levantar a hipótese, cientistas finalmente comprovaram que uma espécie do gênero Saxifraga é, de fato, uma planta carnívora. O estudo demonstra que a Saxifraga candelabrum, encontrada no Planalto Tibetano, não apenas captura pequenos insetos com seus pelos pegajosos, como também os digere e absorve seus nutrientes.
A descoberta, publicada na revista Nature Communications, confirma uma ideia proposta por Darwin em 1875, quando o naturalista observou semelhanças entre espécies de Saxifraga e outras plantas carnívoras, mas não conseguiu reunir evidências suficientes para provar sua teoria.
Charles Darwin dedicou boa parte da carreira ao estudo das plantas carnívoras. Em seu livro publicado em 1875, ele sugeriu que algumas espécies do gênero Saxifraga, conhecidas por pelos glandulares pegajosos, poderiam utilizar insetos como fonte de nutrientes.
Na época, porém, suas tentativas de alimentar espécies europeias do gênero com insetos não foram conclusivas.
Agora, pesquisadores do Instituto de Botânica de Kunming, da Academia Chinesa de Ciências, demonstraram que uma espécie chinesa realiza todas as etapas necessárias para ser considerada carnívora: captura, digestão e absorção de nutrientes provenientes das presas.
Planta carnívora Saxifraga candelabrum. Foto: Xin-Jian Zhang (Xin-Jian Zhang/Divulgação)
Durante expedições ao sudoeste da China, os pesquisadores observaram que exemplares adultos da Saxifraga candelabrum acumulavam dezenas de pequenos insetos presos aos pelos pegajosos que recobrem seus caules e ramos. Em média, cada planta carregava mais de 70 insetos.
Para confirmar que não se tratava de uma coincidência, a equipe realizou uma série de experimentos. Primeiro, verificou que as flores liberam odores capazes de atrair pequenos insetos, como mosquitos. Ao mesmo tempo, os pelos glandulares praticamente não capturam moscas maiores, responsáveis pela polinização da planta.
Depois, os cientistas utilizaram um reagente fluorescente capaz de revelar a presença de enzimas digestivas. Os pelos da planta emitiram um brilho característico, indicando que estavam produzindo substâncias capazes de decompor as presas.
Na etapa final, os pesquisadores alimentaram a planta com moscas marcadas por um isótopo de nitrogênio. Cerca de duas semanas depois, o elemento foi encontrado nos tecidos vegetais, comprovando que a Saxifraga candelabrum absorveu nutrientes provenientes dos insetos.
A Saxifraga candelabrum cresce em fendas de rochas no Planalto Tibetano, onde o solo é pobre em nutrientes.
Segundo os pesquisadores, utilizar insetos como fonte complementar de nitrogênio oferece uma vantagem importante para sobreviver nesse ambiente hostil.
Esse tipo de adaptação já era conhecido em plantas como a dioneia (Venus flytrap) e as plantas-jarro, que vivem em regiões onde o solo também apresenta baixa disponibilidade de nutrientes.
Com a confirmação da Saxifraga candelabrum, a família Saxifragaceae passa a integrar oficialmente o grupo das plantas carnívoras.
Os cientistas destacam que o carnivorismo vegetal surgiu de forma independente ao longo da evolução em 14 famílias de plantas com flores, indicando que essa estratégia evolutiva apareceu diversas vezes em diferentes linhagens.
Para especialistas que não participaram da pesquisa, a descoberta também sugere que muitas outras espécies com pelos glandulares pegajosos — inclusive plantas comuns, como o tomate — podem esconder capacidades carnívoras ainda desconhecidas.