Mosquito: estudo mapeou trajetórias de voo e identificou que cabeça é alvo preferencial. (Joao Paulo Burini/Getty Images)
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Publicado em 27 de abril de 2026 às 23h41.
Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology e do Instituto de Tecnologia da Geórgia desenvolveram o primeiro modelo tridimensional capaz de prever como mosquitos voam ao localizar e atacar humanos. O estudo na revista Science Advances mostra como os insetos combinam estímulos visuais e químicos para encontrar suas vítimas.
A pesquisa analisou mais de 53 milhões de pontos de dados e 477 mil trajetórias de voo de mosquitos da espécie Aedes aegypti, registradas em 20 experimentos. Segundo o MIT, os resultados podem ajudar a desenvolver armadilhas mais eficazes contra insetos transmissores de doenças como dengue, zika e malária, responsáveis por mais de 770 mil mortes por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O estudo identificou que o comportamento de voo muda de acordo com os estímulos disponíveis no ambiente. Em vez de reagir a um único sinal, os mosquitos combinam informações visuais, dióxido de carbono e odor para decidir quando se aproximar e atacar.
Os pesquisadores observaram três padrões principais:
De acordo com o estudo, esse último comportamento aumenta significativamente a chance de ataque.
Além disso, os pesquisadores identificaram que os mosquitos tendem a concentrar a aproximação em uma região específica do corpo humano: a cabeça. Isso acontece porque a região reúne dois estímulos-chave: aparência escura e emissão de dióxido de carbono. A combinação desses sinais aumenta a probabilidade de os insetos direcionarem seus ataques para essa área.
Segundo o pesquisador do MIT Jörn Dunkel, armadilhas mais eficazes devem usar estímulos multissensoriais calibrados para manter os mosquitos próximos por mais tempo.
O modelo também permite simular o comportamento dos insetos em resposta a outros fatores, como calor, umidade e odores, abrindo caminho para novas estratégias de controle. Para o pesquisador Cheng-Yi Fei, o trabalho resolve uma questão central da ciência: entender, de forma quantitativa, como os mosquitos encontram humanos.
Os cientistas acreditam que o modelo pode ser aplicado a outras espécies, como o mosquito Anopheles, transmissor da malária.