Cigarro: tabagismo compromete o sistema respiratório, reduz o desempenho físico e aumenta o risco de doenças (Freepik)
Redatora
Publicado em 29 de agosto de 2026 às 07h10.
A prática de atividade física não elimina os danos provocados pelo cigarro e outros produtos de tabaco e nicotina. O alerta é do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que lançou a campanha “Atividade Física e Saúde: Treinar não Combina com Fumar”.
A iniciativa marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado, 29. A campanha busca mostrar que, embora os exercícios tragam benefícios à saúde, eles não compensam os prejuízos provocados pelo tabagismo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de tabaco e seus derivados provoca cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo. Desse total, aproximadamente 1,3 milhão ocorre entre pessoas expostas ao fumo passivo.
A nicotina provoca a contração dos vasos sanguíneos e reduz o fluxo de sangue para músculos e órgãos. A substância também diminui a capacidade do sangue de transportar oxigênio.
O tabagismo ainda provoca inflamação das vias aéreas. Com isso, o esforço necessário para realizar determinadas atividades físicas pode ser maior. “Todos os ganhos serão perdidos por conta dos prejuízos que esses produtos [derivados do tabaco] trazem”, explicou Vera Borges, psicóloga e especialista no tratamento do tabagismo da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Inca.
No Brasil, cerca de 20,4 milhões de pessoas, ou 12,8% da população, são afetadas pelo tabaco e seus derivados. Entre estudantes de 13 a 17 anos, 18,5% afirmam já ter experimentado cigarro pelo menos uma vez. Segundo o Inca, 477 pessoas morrem diariamente no país de forma precoce por problemas provocados pelo tabagismo.Apesar de não eliminar os danos do cigarro, a atividade física pode contribuir para a prevenção e para a cessação do tabagismo.
Exercícios são considerados fatores de proteção contra diversas doenças crônicas. Também podem ajudar a reduzir sintomas relacionados à abstinência.
Atividades aeróbicas, como caminhada, dança, corrida e natação, estão entre as práticas citadas pelo Inca. Elas podem favorecer a sensação de prazer e bem-estar, além de contribuir para a autoestima e a confiança durante o processo de abandono do cigarro.
A iniciativa do Inca também chama atenção para a experimentação de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) entre os jovens. Segundo o instituto, parte do público mais jovem pode acreditar que esses produtos provocam menos danos e não prejudicam o condicionamento físico ou a saúde.
A campanha tem como objetivos prevenir a iniciação ao tabagismo, proteger ambientes livres da fumaça e estimular a cessação do uso de produtos de tabaco.“Infelizmente, a gente hoje está se deparando com novas situações ameaçadoras a todas as conquistas [contra o tabagismo] obtidas ao longo do tempo”, afirmou o diretor-geral do Inca, Gilberto Gil.
O tratamento para deixar o cigarro é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e marcar uma consulta. A equipe médica avalia o caso e pode encaminhá-lo para tratamento individual ou em grupo.
Dependendo da avaliação, também podem ser oferecidos medicamentos para controlar a abstinência e outros sintomas, como adesivos de nicotina e bupropiona.