Ciência

Epidemia global? Solidão atinge 1 em 5 pessoas; veja as principais causas

Pesquisa com mais de 218 mil pessoas em quase 150 países relaciona a solidão a fatores econômicos, saúde, emprego e redes de apoio

Solidão: sentimento esteve associado a menor satisfação com a vida e maior sofrimento emocional (Imagem gerada por IA/EXAME)

Solidão: sentimento esteve associado a menor satisfação com a vida e maior sofrimento emocional (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 29 de agosto de 2026 às 07h00.

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A solidão afeta cerca de uma em cada cinco pessoas no mundo, segundo um estudo que analisou respostas de mais de 218 mil participantes em quase 150 países. A pesquisa, baseada no Gallup World Poll, indica que o problema varia de acordo com as condições sociais e econômicas de cada região.

Segundo o The Conversation, para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram dados de 113 países entre 2023 e 2024. Em pouco menos de dois terços deles, os índices de solidão foram menores em 2024 do que no ano anterior.

A solidão é mais comum em países pobres

As análises mostram uma diferença importante entre os grupos econômicos. Nos países mais ricos, 15,7% das pessoas disseram sentir solidão em um dia típico. Já nas nações mais pobres, a taxa chegou a 31,3%.

Na Nova Zelândia, 16,2% dos participantes relataram sentir solidão em um dia típico. Na Austrália, por sua vez, a proporção foi de 17,8%, entre os países de alta renda.

Entre os países em situação econômica mais vulnerável, o índice foi ainda maior: quase uma em cada três pessoas afirmou se sentir sozinha.

Segundo os autores, essa diferença indica que a solidão não está ligada apenas às características individuais. As condições sociais e econômicas também ajudam a explicar os níveis encontrados em diferentes regiões.

Redes de apoio fazem diferença

Um dos fatores que mais se destacou foi a existência de redes de apoio e relações de confiança. Participantes que disseram ter alguém com quem contar apresentaram menor probabilidade de relatar o sentimento.

Outros fatores também apareceram associados ao problema, como problemas de saúde, desemprego e ausência de parceiro.

A escolaridade também esteve relacionada a níveis menores de solidão nos países de renda média e alta. Nas nações de baixa renda, porém, essa relação foi mais fraca.

Como a solidão afeta o bem-estar?

Pessoas que se sentiam sozinhas também apresentaram menor satisfação com a vida, tanto em relação ao momento atual quanto às expectativas para o futuro. Elas relataram com mais frequência estresse, preocupação, raiva e dor física.

Também foram menos propensas a afirmar que sentiam prazer nas atividades realizadas no cotidiano.

Esse padrão apareceu em diferentes regiões. De acordo com os dados, a intensidade das associações, porém, variou entre os países analisados.

O que pode ajudar a reduzir a solidão?

Os pesquisadores afirmam que não existe uma única solução para todos os países. Nas nações de baixa renda, medidas relacionadas à redução da pobreza, saúde e proteção social podem contribuir para melhorar as condições que favorecem conexões sociais.

Nos países mais ricos, os autores destacam investimentos em organizações comunitárias, espaços públicos e oportunidades de convivência.

A pesquisa também sugere que a solidão deve ser analisada além da experiência individual. As condições econômicas e a qualidade das relações sociais podem influenciar a forma como as pessoas se conectam. Por isso, os autores defendem que o fenômeno seja analisado também sob uma perspectiva social, além da dimensão psicológica individual.

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