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Menos ministérios e corte de gastos: qual o plano de Flávio Bolsonaro na economia

Danielle Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, defendeu enxugar ministérios e traçar estratégias para reduzir gastos públicos

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 29 de agosto de 2026 às 07h00.

Última atualização em 29 de agosto de 2026 às 10h21.

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O enxugamento de ministérios é uma das estratégias econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para conquistar o eleitor e garantir mais votos para a disputa do cargo de presidente em 2026. 

Foi o que garantiu Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica e atual coordenadora econômica da campanha do presidenciável, no Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, evento promovido pela Exame e o Movimento Brasil Competitivo (MBC), na terça-feira, 25, em São Paulo.

O evento reuniu os coordenadores econômicos dos cinco candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas.

Participaram Alexis Fonteyne (Romeu Zema/NOVO), Cristiane Schmidt (Ronaldo Caiado/PSD), Daniella Marques (Flávio Bolsonaro/PL), Dario Durigan (Lula/PT) e Kim Kataguiri (Renan Santos/MISSÃO). O debate foi mediado por André Martins, da Exame, e por Tatiana Ribeiro, do MBC.

A conversa foi dividida em três blocos temáticos, cada um com uma pergunta dirigida a cada um dos representantes. Os temas estabelecidos foram:

  • Ajuste fiscal;
  • Produtividade e competitividade
  • Reforma administrativa. 

Apesar das divergências de método, houve razoável convergência entre os painelistas sobre a necessidade de reduzir despesas obrigatórias e a taxa de juros para destravar o crescimento.

 

Danielle Marques

Coordenadora econômica de Flávio, Danielle Marques foi ex-presidente da Caixa Econômica Federal (Eduardo Frazão/MBC!)

O que disse Danielle Marques?

A coordenadora da área econômica e do plano Brasil por Elas, Daniella Marques defendeu que a primeira medida de um eventual governo Flávio Bolsonaro seria o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) fiscal ainda durante a transição, com o objetivo de conter os gastos públicos e recompor a credibilidade do país junto ao mercado.

De acordo com ela, a proposta passa pela criação de uma instância de governança entre os Poderes batizada de "Conselho Superior da República" ou "da Governança Fiscal", reunindo os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. 

"Existe uma série de excessos hoje na própria estrutura administrativa, não só do Executivo. Hoje, a gente tem o Judiciário e o Congresso mais caros do mundo per capita", disse.

A economista também criticou o atual arcabouço fiscal, que classificou como "continuamente burlado", e prometeu um "enxugamento de pelo menos dez ministérios" logo no início de um eventual mandato.

No segundo bloco, Daniella apresentou o conceito de "custo Brasil" — estimado por ela em R$ 1,7 trilhão — como o valor adicional que o país gasta, em relação à média da OCDE, para produzir o mesmo bem que nações como China, Estados Unidos ou Singapura. 

Ela atribuiu a perda de posições do Brasil em rankings de competitividade ao esgotamento de um "modelo baseado em expansão de renda e consumo bancados por gastos descontrolados e impostos", citando declaração recente do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre esse mesmo diagnóstico. 

Também criticou a reforma tributária em curso pela insegurança jurídica em torno da alíquota do IVA  que, segundo ela, pode chegar a 28%, ante uma média de cerca de 19% entre os países da OCDE,  e defendeu uma "Lei de Liberdade Econômica 2.0", com desburocratização de registros, licenciamentos e uso de inteligência artificial na gestão pública.

No terceiro bloco, a coordenadora propôs reorganizar o Estado "em torno da jornada do cidadão", substituindo a atual estrutura de 38 ministérios por um modelo menos fragmentado e mais digital, nos moldes do processo de digitalização de serviços públicos iniciado no governo Jair Bolsonaro.

Também defendeu uma revisão da gestão patrimonial da União, citando os mais de 760 mil imóveis públicos, avaliados em cerca de R$ 1,7 trilhão, muitos deles ociosos,  e a securitização de ativos hoje sob custódia da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que, segundo suas estimativas, poderia gerar algo em torno de R$ 400 bilhões por ano.

Segundo Daniella, a receita obtida com essas medidas seria destinada à redução da dívida pública, a investimentos em infraestrutura e a políticas que ajudem as famílias brasileiras a sair do ciclo de endividamento.

Quem é Daniella Marques?

Formada em Administração pela PUC-Rio, com MBA em Finanças pelo Ibmec, Daniella Marques construiu carreira no mercado financeiro antes de ingressar no setor público como assessora especial do então ministro da Economia, Paulo Guedes, no governo Jair Bolsonaro. 

Ocupou ainda a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade da pasta. Em julho de 2022, assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, cargo que exerceu até janeiro de 2023 após a saída de Pedro Guimarães, em meio a acusações de assédio contra o executivo. 

Deixou o banco público com a transição para o governo Lula, sendo sucedida por Maria Rita Serrano.

Depois de sua passagem pelo setor público, Daniella atuou como CEO da Legend Capital, gestora independente de recursos, até deixar a função, neste ano, para coordenar a agenda econômica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. 

Danielle Marques

Marques é um dos principais nomes femininos na campanha de Flávio Bolsonaro. (Eduardo Frazão/MBC!)

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