Ciência

Estudo revela como a chuva escolhe quais aranhas sobrevivem

Pesquisa mostra que o formato da teia e o local onde o aracnídeos é construído influenciam os danos causados pela chuva

Aranha: pesquisa mostra que tempestades afetam a sobrevivência de diferentes espécies (Freepik)

Aranha: pesquisa mostra que tempestades afetam a sobrevivência de diferentes espécies (Freepik)

Publicado em 4 de julho de 2026 às 08h45.

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Nem todas as aranhas enfrentam as tempestades da mesma forma. Um novo estudo revelou que a intensidade das chuvas pode determinar quais espécies conseguem sobreviver em determinado ambiente ao destruir diferentes tipos de teias, funcionando como um verdadeiro filtro ecológico.

As análises também indicam que mudanças no regime de chuvas provocadas pelas mudanças climáticas podem alterar a composição das comunidades de aranhas.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, com apoio da FAPESP e participação de pesquisadores do Instituto Butantan. Os resultados foram publicados na revista Ecology and Evolution.

Formato e localização da teia fazem diferença

Os pesquisadores analisaram diferentes espécies de aranhas em florestas dos Andes equatorianos, onde a intensidade das chuvas varia conforme a altitude.

Ao comparar mais de 200 teias, a equipe concluiu que a resistência à chuva depende principalmente de dois fatores: o formato da teia e o local onde ela é construída.

As chamadas teias orbiculares, de formato circular e bastante comuns, costumam ser construídas em áreas abertas para capturar insetos voadores. Por ficarem mais expostas, sofrem maiores danos quando atingidas por chuvas intensas.

Já as teias emaranhadas costumam ser construídas sob folhas, enquanto as estruturas em forma de lençol ficam próximas aos troncos das árvores, onde recebem proteção parcial do dossel.

Por que as teias mais frágeis continuam existindo?

À primeira vista, seria esperado que as teias mais vulneráveis desaparecessem das regiões chuvosas. Mas os pesquisadores observaram justamente o contrário. Segundo a equipe, as teias orbiculares exigem pouca seda para serem produzidas, o que faz com que sua reconstrução demande pouco esforço e gasto de recursos da aranha.

Como essas estruturas já precisam ser refeitas frequentemente após capturar insetos, os danos provocados pela chuva representam um custo adicional pequeno.

Teias maiores resistem mais, mas têm um custo elevado

O estudo também mostrou que as teias em formato de lençol, muito maiores e mais densas, utilizam cerca de cem vezes mais seda do que as teias orbiculares.

Embora sejam mais resistentes, os prejuízos causados pelas tempestades tornam sua manutenção muito mais cara. Por isso, esse tipo de teia é raro nas regiões com chuvas mais intensas.

Nas áreas onde essas estruturas ainda são encontradas, elas costumam ser construídas por aranhas sociais, que vivem em grupo e dividem o trabalho de manutenção e reparo das teias.

Além das observações em campo, os pesquisadores realizaram um experimento para verificar se a chuva era realmente responsável pelos danos. Em uma das áreas analisadas, parte das teias recebeu uma cobertura artificial semelhante à proteção oferecida pelas folhas. As demais permaneceram expostas.

As teias protegidas sofreram significativamente menos danos, confirmando que a intensidade da chuva exerce efeito direto sobre sua integridade.

O que isso significa para as mudanças climáticas

Segundo os pesquisadores, alterações nos padrões de chuva podem modificar a distribuição das espécies de aranhas e afetar o equilíbrio dos ecossistemas.

Se regiões atualmente muito chuvosas passarem por períodos mais secos, mudanças na vegetação poderão reduzir os locais protegidos onde algumas espécies constroem suas teias.

Por outro lado, o aumento das chuvas em áreas hoje mais secas pode elevar a frequência dos danos às teias e reduzir a disponibilidade de presas, afetando a sobrevivência das aranhas.

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