Ciência

Continente 'perdido' sob o Oceano Índico reacende mistério da Lemúria

Vestígios da antiga Maurícia ajudam cientistas a investigar como uma grande massa de terra se fragmentou e ficou submersa no oceano

Maurícia: vestígios geológicos ajudam cientistas a investigar o passado do Oceano Índico (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Maurícia: vestígios geológicos ajudam cientistas a investigar o passado do Oceano Índico (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 16h32.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreCuriosidades
Saiba mais

Uma antiga massa de terra escondida sob o Oceano Índico, investigada por cientistas, reacende uma velha história sobre um suposto continente perdido. A região está relacionada à Maurícia, uma formação geológica cujos fragmentos permanecem sob o oceano.

Segundo informações do Daily Mail, pesquisadores estudam sua estrutura para entender como essa formação se originou e se fragmentou ao longo da história geológica da Terra. Ao mesmo tempo, os vestígios da região voltaram a ser associados à Lemúria, um continente hipotético que ganhou diferentes versões ao longo dos séculos.

Como surgiu a história da Lemúria

A hipótese foi proposta em 1864 pelo zoólogo e biogeógrafo britânico Philip Sclater. Na época, ele considerava que uma antiga ponte terrestre poderia ter conectado Madagascar e a Índia. A proposta tentava explicar a presença de fósseis semelhantes de lêmures nas duas regiões. Sclater chamou essa massa hipotética de Lemúria.

A ideia perdeu espaço depois que a teoria da deriva continental explicou que Índia e Madagascar já fizeram parte da mesma grande massa de terra. A Lemúria, porém, permaneceu em correntes espiritualistas e passou a receber novas interpretações. Ao longo do tempo, a história foi associada a civilizações antigas, seres extraterrestres e supostas cidades subterrâneas.

No entanto, essas versões não são sustentadas por evidências arqueológicas ou geológicas.

O que os cientistas encontraram?

A pesquisa científica se concentra em uma formação geológica diferente da Lemúria descrita nessas histórias. A Maurícia é considerada um fragmento continental formado durante a fragmentação de Gondwana, um supercontinente que existiu há cerca de 200 milhões de anos.

Parte desses restos permanece atualmente sob o Oceano Índico, próximo à ilha Maurício. Uma das evidências usadas pelos pesquisadores são cristais de zircão, um mineral capaz de preservar informações sobre a idade das rochas.

Cristais encontrados na região apresentaram idades de aproximadamente 3 bilhões de anos. Isso chama atenção porque as rochas vulcânicas expostas atualmente na ilha de Maurício têm menos de 9 milhões de anos.

Com isso, os pesquisadores estudam essa diferença para investigar a presença de material continental antigo na região.

Como os pesquisadores procuram os restos

Os cientistas também utilizam dados gravitacionais para investigar a crosta abaixo do Oceano Índico. A chamada inversão gravitacional permite estimar diferenças na espessura da crosta terrestre.

Com esses dados, os pesquisadores podem identificar áreas que apresentam características compatíveis com fragmentos de crosta continental. O objetivo é reconstruir a extensão e a configuração da antiga massa de terra.

A pesquisa também pode ajudar a entender como a região se transformou durante a fragmentação de Gondwana.

De onde vieram as histórias sobre extraterrestres

A história da Lemúria ganhou novas interpretações fora da ciência ao longo do tempo. A espiritualista Helena Petrovna Blavatsky associou o continente a ideias sobre diferentes “raças-raiz” da humanidade, além de seres astrais e outras figuras de sua visão espiritualista.

Mais tarde, autores como James Churchward misturaram a história da Lemúria com a de outro suposto continente perdido, chamado Mu. Essas narrativas passaram a incluir civilizações tecnologicamente avançadas, seres extraterrestres e até guerras nucleares pré-históricas.

Algumas versões também relacionaram a história a supostos habitantes de outros planetas e às chamadas “sementes estelares”. As alegações fazem parte de interpretações especulativas e não apresentam evidências físicas que comprovem essas civilizações ou seus supostos habitantes.

Maurícia não é evidência da Lemúria

A existência da Maurícia não confirma a antiga hipótese da Lemúria. A Maurícia corresponde a uma formação geológica explicada pela história dos continentes e pela fragmentação de Gondwana. Já a Lemúria surgiu como uma hipótese para explicar a distribuição de animais antes do desenvolvimento da teoria da deriva continental.

Acompanhe tudo sobre:CuriosidadesPesquisas científicasGeologia

Mais de Ciência

Como a pele de peixe pode ajudar no tratamento de queimaduras graves

Estudo aponta 3 hábitos na meia-idade ligados a quase 13 anos sem demência

Como um campo abandonado virou refúgio para milhares de orquídeas

Tempestade solar pode afetar GPS e satélites? Especialista explica os possíveis efeitos no Brasil