Os presidentes Donald Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 16h22.
Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 16h25.
A reunião ministerial virtual entre autoridades dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para debater as tarifas impostas pelos americanos às exportações brasileiras terminou sem resultados concretos. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirma que "o lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos".
As duas partes devem voltar a se reunir, mas não há data definida para que isso ocorra. Participaram do encontro, pelo lado brasileiro, os ministros Márcio Elias Rosa, do MDIC; e Mauro Vieira, das Relações Exteriores. A reunião foi com o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, e tinha o intuito de avançar nas negociações sobre as tarifas aplicadas pelos EUA às exportações brasileiras em julho, de 25% e 12,5%.
Esta foi a sexta reunião entre o ministro Márcio Elias e Jamieson Greer neste ano.
Como a EXAME noticiou, o governo Lula não esperava que o encontro tivesse resultado imediato. A proposta da reunião foi uma iniciativa de Greer, que, por sua vez, foi resultado do telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto.
Lula tenta driblar a influência de Rubio sobre o tarifaço para restabelecer a negociação comercial de maneira técnica. No governo brasileiro, a avaliação é de que as duas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, que somam 37,5% em alguns casos, têm caráter político.
No caso da tarifa de 25% imposta apenas ao Brasil, a percepção das autoridades brasileiras é de que a barreira é uma tentativa do Departamento de Estado americano de interferir na eleição em favor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e não está relacionada a fatores econômicos.
Integrantes do governo brasileiro dizem ver como improvável um relaxamento das tarifas até as eleições presidenciais.
Em nota, o MDIC disse que os ministros "reiteraram que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio".
"Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil", diz o documento.
"As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas", prossegue a nota.