Lemúria: ideia nasceu em estudos científicos, foi abandonada pela geologia moderna e ganhou força em movimentos místicos e teorias conspiratórias (Imagem gerada por IA)
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Publicado em 7 de junho de 2026 às 08h42.
Muito antes de Atlântida dominar o imaginário popular, outro continente perdido já despertava fascínio entre cientistas, escritores e esotéricos.
Chamado de Lemúria, o território supostamente desaparecido teria existido entre Madagascar e a Índia, no Oceano Índico. Ao longo de mais de um século, a teoria atravessou a ciência, mergulhou no misticismo e voltou a ganhar atenção em debates modernos sobre continentes submersos.
A origem da hipótese remonta a 1864, quando o zoólogo britânico Philip Sclater publicou um estudo tentando explicar a distribuição dos lêmures entre Madagascar e partes da Ásia.
O trabalho foi divulgado no periódico científico The Quarterly Journal of Science. Sem o conhecimento da tectônica de placas, ainda inexistente na época, Sclater sugeriu que uma massa continental teria conectado as regiões no passado.
“O conceito de Lemúria surgiu primeiro aos cientistas da metade do século 19”, destaca um artigo do Brasil Escola, ao explicar que pesquisadores buscavam respostas para coincidências biológicas consideradas estranhas na época.
Com o avanço da geologia no século XX, a hipótese começou a perder força. A consolidação da teoria da tectônica de placas explicou a separação dos continentes sem necessidade de imaginar um território afundado no oceano.
Para muitos cientistas, Lemúria deixou de ser uma possibilidade geológica plausível.
Ainda assim, a ideia não desapareceu. Pelo contrário. Ela ganhou uma nova vida em correntes espiritualistas e movimentos esotéricos. A teosofista Helena Blavatsky passou a descrever os “lemurianos” como uma civilização ancestral avançada, com poderes espirituais e conhecimento superior. A partir daí, Lemúria deixou de ser apenas uma hipótese científica e passou a integrar narrativas místicas sobre civilizações perdidas.
O geólogo David Bressan escreveu na revista científica Scientific American que “o mítico continente Lemúria tornou-se parte da cultura popular”. O artigo relembra como descobertas geológicas modernas frequentemente reacendem teorias antigas, mesmo quando já desacreditadas pela ciência.
Décadas depois, novas pesquisas sobre fragmentos continentais submersos ajudaram a alimentar novamente a curiosidade popular.
Estudos sobre regiões como Mauritia, uma microplaca continental localizada sob o Oceano Índico, mostraram que partes de antigos continentes realmente podem desaparecer sob o mar ao longo de milhões de anos.
Mas isso não significa que a Lemúria descrita por mitos e teorias conspiratórias tenha existido da forma como muitos imaginam.
Hoje, a Lemúria ocupa um espaço curioso entre ciência, folclore e pseudociência.
A hipótese original nasceu de uma tentativa legítima de compreender o planeta. Mas, com o tempo, a teoria passou a sobreviver muito mais pela força do imaginário coletivo do que pelas evidências científicas.