Bólido: Fenômeno luminoso é provocado pela desintegração de fragmentos na atmosfera. (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter
Publicado em 28 de julho de 2026 às 06h10.
Durante o pico da chuva de meteoros do fim de julho, um fenômeno específico chama atenção de quem observa o céu: os bólidos, meteoros conhecidos por serem mais lentos, maiores e muito mais brilhantes do que os rastros comuns.
Bólidos são meteoros de brilho excepcional, causados por fragmentos de cometas ou asteroides maiores do que os grãos de poeira que originam a maioria dos meteoros visíveis a olho nu.
Ao entrar na atmosfera terrestre em alta velocidade, esses fragmentos se desintegram, produzindo um rastro de luz mais intenso e duradouro, por vezes comparado a uma "bola de fogo" cruzando o céu.
Enquanto a maioria dos meteoros cruza o céu em frações de segundo e produz um brilho fraco, os bólidos se destacam por três características: duração maior do rastro, tamanho do fragmento que entra na atmosfera e intensidade luminosa, que pode ser comparável à de planetas como Vênus.
Essa combinação faz com que sejam visíveis mesmo em condições de observação não ideais, como céu com poluição luminosa ou interferência do brilho da Lua.
O fenômeno está associado à chuva de meteoros Alfa Capricornídeas, ativa entre 3 de julho e 15 de agosto, com pico em 30 e 31 de julho. Originada de restos deixados pelo cometa 169P/NEAT, essa chuva produz poucos meteoros por hora — cerca de cinco sob céu perfeito —, número bem inferior ao de outras chuvas do período.
Em compensação, é reconhecida justamente pela frequência de bólidos entre seus rastros, o que a torna um dos fenômenos mais aguardados por observadores mesmo com taxa horária baixa.
O pico das Alfa Capricornídeas coincide com o da Delta Aquáridas do Sul, chuva de meteoros mais ativa, capaz de produzir até 25 rastros por hora em condições ideais.
A sobreposição das duas chuvas na mesma noite — 30 para 31 de julho — amplia as chances de observação, já que os meteoros mais fracos da Delta Aquáridas se somam aos bólidos mais raros e brilhantes da Alfa Capricornídeas.
A Lua Cheia de julho, tradicionalmente chamada de Lua do Cervo, ocorre no dia 29, dois dias antes do pico das duas chuvas. Com o satélite ainda praticamente cheio, o brilho deve ofuscar boa parte dos meteoros mais fracos.
Os bólidos, no entanto, tendem a permanecer visíveis mesmo nessas condições, já que sua luminosidade elevada é justamente o que os diferencia dos demais rastros.
Especialistas recomendam observar o céu a partir de locais afastados da poluição luminosa das cidades e buscar um ponto onde a Lua fique encoberta por um prédio, árvore ou elevação do terreno.
Outra alternativa é acompanhar o céu entre os dias 22 e 24 de julho, uma semana antes do pico oficial, quando a Lua se põe por volta da meia-noite e reduz sua interferência durante a madrugada.