Ciência

Como uma abelha se torna rainha? Estudo aponta novo fator

Pesquisa mostra que a estrutura criada pelas operárias influencia o desenvolvimento da futura líder da colmeia

Abelhas: pesquisa sugere que células especiais podem influenciar o surgimento de novas rainhas (Freepik)

Abelhas: pesquisa sugere que células especiais podem influenciar o surgimento de novas rainhas (Freepik)

Publicado em 21 de junho de 2026 às 08h21.

A transformação de uma simples larva em abelha rainha pode depender de muito mais do que a famosa geleia real. Um novo estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Apícola da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas sugere que a câmara especial construída pelas abelhas operárias também desempenha um papel importante nesse processo.

A pesquisa analisou a espécie Apis mellifera, conhecida como abelha-europeia. Segundo o estudo publicado na revista Nature, a estrutura onde a futura rainha se desenvolve funciona como uma espécie de "incubadora inteligente", reunindo características físicas e químicas que podem influenciar diretamente seu crescimento e sua sobrevivência.

Como uma abelha se torna rainha?

Nas colmeias, a maior parte da cera é utilizada para construir células hexagonais destinadas ao armazenamento de alimento ou ao desenvolvimento das crias. No entanto, quando uma nova abelha rainha precisa ser criada, as operárias constroem uma estrutura diferente, conhecida como célula real.

De acordo com o estudo, a cera dessas câmaras apresenta propriedades únicas. Ela é mais macia, possui ponto de fusão mais elevado e libera compostos químicos distintos em comparação com as células comuns da colmeia.

Os cientistas acreditam que essas características podem atuar em conjunto para direcionar o desenvolvimento da larva rumo ao papel de rainha.

Não é apenas a geleia real

Durante décadas, a explicação mais aceita para o surgimento de uma abelha rainha era a alimentação exclusiva com geleia real, uma substância rica em nutrientes produzida pelas operárias. Porém, os novos resultados indicam que a dieta sozinha pode não ser suficiente.

Nos experimentos, larvas alimentadas com geleia real, mas expostas à cera das células de operárias, apresentaram desenvolvimento mais limitado e taxas de mortalidade maiores. Isso sugere que fatores ligados ao ambiente físico e químico da célula real também são importantes para a formação da futura líder da colmeia.

Como a cera pode influenciar o desenvolvimento?

Os cientistas observaram que as paredes mais macias podem oferecer mais espaço para o crescimento da larva. Além disso, os compostos químicos liberados pela cera podem atuar como sinais capazes de influenciar processos biológicos relacionados ao desenvolvimento.

Segundo os autores, a combinação dessas características físicas e químicas ajuda a criar condições diferentes das encontradas nas células destinadas às operárias.

Quem constrói as células reais?

O estudo também investigou as abelhas operárias responsáveis pela construção dessas estruturas Os pesquisadores descobriram que esses insetos apresentavam temperaturas torácicas mais elevadas e atividade genética diferente das demais operárias.

Segundo os autores, elas aquecem o tórax a mais de 39°C para moldar a cera utilizada nas células reais.

Apesar dessa função específica, não se trata de uma casta exclusiva. As responsáveis pela construção continuam desempenhando tarefas comuns da colmeia, como compartilhar alimento com outras abelhas e inspecionar células.

O que a descoberta pode mudar?

Os pesquisadores afirmam que os resultados ampliam a compreensão sobre como uma colônia produz suas rainhas. O próximo passo será identificar quais componentes físicos ou químicos da cera atuam diretamente sobre o desenvolvimento das larvas.

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