HPV: imunização foi associada a uma redução histórica das mortes por câncer cervical (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 21 de junho de 2026 às 08h30.
A vacina contra o HPV levou a uma redução histórica das mortes por câncer do colo do útero entre mulheres jovens na Inglaterra. Uma análise publicada na revista científica The Lancet mostrou que, entre 2020 e 2024, não foi registrada nenhuma morte pela doença entre mulheres de 20 a 24 anos que pertencem às gerações beneficiadas pela vacinação iniciada em 2008.
Os resultados indicam que cerca de 200 vidas já foram salvas desde a implementação do programa nacional de imunização. Segundo os pesquisadores, sem a vacinação, seriam esperadas aproximadamente 23 mortes por câncer cervical apenas entre mulheres de 20 a 24 anos no período analisado.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Queen Mary University of London e é o primeiro a demonstrar diretamente o impacto da vacina na redução da mortalidade causada pelo câncer do colo do útero.
A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) começou a ser oferecida a meninas em idade escolar na Inglaterra em 2008.
De acordo com a pesquisa, as jovens que receberam a vacina aos 12 ou 13 anos passaram a apresentar um risco próximo de zero de morrer por câncer do colo do útero antes dos 30 anos. Antes da campanha de imunização, eram registradas cerca de 20 mortes por ano nessa faixa etária.
Segundo o pesquisador Peter Sasieni, os resultados demonstram o potencial da vacinação para prevenir um câncer que antes afetava milhares de mulheres.
O câncer do colo do útero continua sendo um importante problema de saúde pública no Reino Unido, com cerca de 3.300 diagnósticos anuais.
Especialistas estimam que aproximadamente 99% dos casos estejam associados à infecção pelo HPV, vírus transmitido principalmente pelo contato íntimo pele a pele.
Embora a maioria das infecções desapareça espontaneamente, algumas podem provocar alterações celulares que evoluem para câncer ao longo dos anos.
Os autores afirmam que os benefícios observados representam apenas o início dos efeitos da vacinação. À medida que as gerações imunizadas envelhecem, a expectativa é que o número de casos e mortes continue diminuindo.
A organização Cancer Research UK classificou os resultados como um marco na prevenção da doença, mas alertou para a necessidade de ampliar a cobertura vacinal.Dados recentes mostram que cerca de 76% das meninas inglesas estavam vacinadas até os 15 anos em 2024-2025, abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde para a eliminação do câncer do colo do útero como problema de saúde pública.
Apesar da eficácia da vacina, especialistas ressaltam que mulheres entre 25 e 64 anos devem continuar realizando exames preventivos para detectar alterações precoces no colo do útero.
Desde 2019, a vacinação também passou a ser oferecida aos meninos na Inglaterra. Além de reduzir a transmissão do vírus, a imunização ajuda a proteger contra cânceres de boca, garganta, pênis e ânus relacionados ao HPV.