Ciência

Não é só condicionamento: esse teste simples pode prever sua longevidade

Estudo aponta que tarefas simples do dia a dia podem indicar risco de morte ao longo dos anos

Longevidade: mulheres com maior força física apresentaram menor mortalidade (Getty Images)

Longevidade: mulheres com maior força física apresentaram menor mortalidade (Getty Images)

Publicado em 13 de maio de 2026 às 10h54.

A força muscular pode estar diretamente ligada à longevidade, segundo um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open. Pesquisadores descobriram que mulheres idosas com maior força nas mãos e melhor capacidade de levantar da cadeira apresentaram menor risco de morte ao longo de oito anos.

A pesquisa, liderada pela Universidade de Buffalo, analisou mais de 5 mil mulheres entre 63 e 99 anos. Os cientistas avaliaram dois testes simples: força de preensão manual e velocidade para sentar e levantar de uma cadeira sem apoio. A associação entre resistência muscular e menor risco de morte continuou significativa mesmo após ajustes relacionados à atividade física, condicionamento cardiovascular, inflamação e comportamento sedentário.

O estudo também contou com a participação de pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer, da Universidade da Califórnia em San Diego, da Universidade Texas A&M, da Universidade Brown, da Universidade Stanford e do Centro de Câncer Fred Hutch.

O que os testes revelaram?

No teste de força de preensão, as participantes precisavam apertar um equipamento capaz de medir a intensidade da pegada. Já no teste de sentar e levantar, as mulheres realizaram cinco movimentos consecutivos o mais rápido possível, sem auxílio.

Os pesquisadores descobriram que cada 7 quilos adicionais na força de preensão estavam associados a uma redução média de 12% no risco de morte. Mulheres com melhor desempenho no teste da cadeira também apresentaram taxas menores de mortalidade durante o período analisado.

Uma melhoria de 6 segundos no tempo do teste de levantar da cadeira — comparando os tempos mais lentos e os mais rápidos — foi relacionada a uma redução de 4% na taxa de mortalidade.

Exercícios não explicaram tudo

Segundo os autores, a relação entre força muscular e longevidade não foi explicada apenas pela prática de exercícios ou pelo condicionamento físico geral. O estudo utilizou acelerômetros para medir atividade física e comportamento sedentário.

Os pesquisadores também avaliaram velocidade ao caminhar e níveis de proteína C-reativa, marcador associado à inflamação. Mesmo após essas análises, mulheres com maior resistência muscular continuaram apresentando menor risco de mortalidade.

Os cientistas afirmaram que diferenças no tamanho corporal não alteraram os resultados observados. Ajustes para peso corporal e massa magra mantiveram a associação significativa.

O impacto da força no envelhecimento

Segundo Michael LaMonte, autor principal do estudo, a força muscular ajuda o corpo a realizar movimentos básicos do dia a dia, principalmente ações contra a gravidade. A pesquisa aponta também que atividades aeróbicas, como caminhada, podem se tornar mais difíceis quando ocorre perda importante de resistência.

Para os especialistas, um envelhecimento saudável depende tanto de exercícios cardiovasculares quanto de atividades voltadas ao fortalecimento muscular, como a musculação ou o pilates.

O estudo também identificou benefícios mesmo entre mulheres que não atingiam as recomendações atuais de atividade física — 150 minutos semanais de exercício aeróbico de intensidade moderada.

Força além da academia

Além disso, fortalecimento muscular não depende necessariamente somente de academias ou equipamentos sofisticados. Entre as atividades citadas estão exercícios com o próprio peso corporal e movimentos adaptados, como agachamentos e flexões. Segundo LaMonte, até objetos domésticos podem ser usados para estimular os músculos esqueléticos quando outras opções não são viáveis, incluindo livros e latas de alimentos.

No entanto, os especialistas orientam idosos a procurarem acompanhamento profissional antes de iniciar programas de fortalecimento muscular, principalmente em casos de limitações físicas ou doenças pré-existentes.

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