Ciência

Eclipse solar mais longo do século está perto de acontecer — e não se repetirá por 157 anos

Fenômeno já está atraindo a atenção de cientistas, astrofotógrafos e turistas de todo o planeta

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 13 de maio de 2026 às 14h06.

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Em 2 de agosto de 2027, uma estreita faixa de terra será palco de um fenômeno raro, que muitas pessoas só têm a chance de ver uma vez na vida: o céu de um dia de verão escurecerá completamente em poucos segundos, estrelas brilharão durante a tarde, e uma escuridão de quase 7 minutos tomará o ambiente, um evento que não ocorrerá com a mesma intensidade por 157 anos.

O eclipse solar total de 2027 será o mais longo do século XXI, e também o maior período de totalidade em terra firme no século, com duração máxima de 6 minutos e 23 segundos. Esse fenômeno já está atraindo a atenção de cientistas, astrofotógrafos e turistas de todo o planeta.

Por que esse eclipse é mais longo que os outros?

A impressionante duração do eclipse solar total de 2027 se deve a uma série de condições orbitais raras que se alinham com uma precisão incomum. O principal fator é a posição da Lua no momento do evento: ela estará próxima do perigeu, que é o ponto de sua órbita onde ela se encontra mais perto da Terra. Quanto mais perto a Lua está, maior é o tamanho aparente do disco lunar no céu, o que aumenta a área de bloqueio da luz solar e prolonga a totalidade na superfície.

A média de duração dos eclipses solares totais é de cerca de 2 a 3 minutos. O eclipse de abril de 2024, que atravessou os Estados Unidos e o México, teve uma duração ligeiramente superior a 4 minutos nos pontos de maior extensão.

Com 6 minutos e 23 segundos previstos para 2027, esse evento se destaca no calendário astronômico do século. O próximo eclipse com características semelhantes de duração e trajetória está agendado para 2114, o que torna a geração atual a única com a chance de vivenciar este fenômeno.

Onde o eclipse será visível?

A sombra da Lua seguirá um caminho que começa no Oceano Atlântico e segue para o leste, passando por algumas das regiões mais culturalmente e historicamente ricas do mundo. Os países e regiões que estarão na faixa de totalidade incluem:

  • Espanha: No País Basco, especialmente na região de Álava, o eclipse será um dos melhores para observação na Europa. Neste local, um evento como esse não se repetirá até 2183.
  • Norte da África: Países como Marrocos, Argélia, Líbia e Egito estarão dentro da zona de escuridão total, com o Egito sendo um dos pontos com maior duração de totalidade.
  • Oriente Médio: Arábia Saudita e Iémen terão uma visão privilegiada do fenômeno durante a segunda metade da trajetória da sombra lunar.
  • Groenlândia e Islândia: Serão os primeiros lugares a testemunhar as fases iniciais do eclipse antes que a sombra avance para a Europa e África.

O que acontece durante os 6 minutos de escuridão total?

Para aqueles que estiverem posicionados dentro da faixa de totalidade no momento exato, o fenômeno começa alguns minutos antes da totalidade completa. A luz solar vai se intensificando lentamente, as sombras no solo se tornam mais nítidas e a temperatura cai rapidamente. Animais que respondem ao ciclo diário começam a agir como se fosse o anoitecer. Poucos segundos antes da totalidade, dois dos fenômenos óticos mais raros da astronomia são visíveis.

Primeiro, as Pérolas de Baily, pequenos pontos de luz visíveis nas bordas da Lua onde vales na superfície lunar permitem que a luz solar escape momentaneamente. Em seguida, o Anel de Diamante, que aparece como um único ponto de luz visível por um instante, antes da escuridão total. Durante a totalidade, a corona solar, a camada mais externa da atmosfera solar, se torna visível a olho nu, e planetas brilhantes surgem no céu escuro. As estrelas mais intensas também se tornam visíveis, algo que só ocorre durante o dia a cada várias décadas.

Como observar o eclipse com segurança?

A única vez em que é seguro olhar diretamente para o sol é durante a totalidade completa, quando o disco solar está totalmente coberto pela Lua. Em todos os outros momentos, especialmente durante as fases parciais antes e depois da totalidade, é essencial o uso de óculos de eclipse com certificação ISO 12312-2. Olhar para o sol, mesmo parcialmente coberto, sem proteção adequada pode causar sérios danos à retina, sem dor aparente.

  • Use óculos de eclipse certificados pela norma ISO 12312-2 durante as fases parciais.
  • Nunca substitua os óculos de eclipse por óculos de sol comuns, filmes fotográficos ou radiografias.
  • Remova os óculos somente quando o sol estiver completamente coberto pela Lua.
  • Coloque-os novamente assim que perceber qualquer brilho retornando ao céu.
  • Para fotografar, use filtros solares específicos na lente da câmera durante as fases parciais.

Por que o eclipse de 2027 já está gerando tanto interesse?

Fred Espenak, renomado astrônomo e especialista em previsão de eclipses, criou um guia completo com tabelas, mapas e análises climáticas para centenas de cidades ao longo da faixa de totalidade de 2027. A procura por hospedagens nas áreas privilegiadas de observação, especialmente no sul da Espanha e no Egito, já está alta, com mais de um ano de antecedência. Esse tipo de evento atrai um turismo especializado, com pessoas dispostas a viajar grandes distâncias para garantir a observação no lugar certo.

A raridade desse fenômeno vai além do calendário astronômico. Para muitas pessoas ao redor do mundo, o eclipse solar total de 2027 será a única chance de ver a corona solar a olho nu, sentir a temperatura cair no auge do verão e presenciar a total escuridão da tarde de agosto. Quem tiver a sorte de estar na faixa de totalidade dificilmente conseguirá encontrar palavras para descrever a experiência.

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